segunda-feira, março 17

E depois de diversas temporadas por praticamente uns dois meses em quase todos os teatros da cidade, a versão brasiliense da Ópera do Malandro, com alunos da escola de teatro do Teatro Dulcina, foi parar no Teatro da Caixa e eu finalmente consegui assistir. Antes, é lógico, teve que rolar um stress na fila. Afinal de contas, o troço era de graça e eu que achei que todo mundo nessa cidade já tivesse assistido e o teatro ia estar vazio me enganei redondamente. Cada um com seu(s) respectivo(s) quilo de alimento na mão e uma fila imensa, ingressos esgotados 40 minutos antes do espetáculo começar. Como Murphy é meu amigo, o número de ingressos correspondente à lotação máxima da casa se esgotou exatamente na hora em que cheguei, mais ou menos umas 5 pessoas na minha frente. Não adiantou implorar. O trato era que, depois que todos os portadores de ingressos entrassem, se sobrassem cadeiras vazias eles vendiam extra. E priu.

O lance é que a fila foi aumentando e, 20h de domingo, tinha pelo menos umas 50 pessoas do lado de fora. Uma menina na minha frente com mais 4 amigos, provavelmente aluna de teatro e dotada de uma cara de pau invejável, conseguiu 5 (CINCO!!!) ingressos nesse meio tempo. Não contou conversa e foi à luta. O mais engraçado foi o último que ela conseguiu, de um cara que ela viu parado perto da porta e pensou 'esse senhor tem cara de diretor de teatro'. Foi lá perguntar se ele não tinha convite sobrando e, pimba, não é que o cara tinha?! Ficamos chupando o dedo enquanto ela ia na concentração dos atores dizer que tinha um monte de gente na então batizada "fila de espera" querendo entrar, que o teatro tinha que distribuir extra, que o povo sentasse no chão, uns no colo dos outros, na escadinha do palco, onde desse. Simpáticos os atores que foram até o lado de fora antes de entrar e fizeram um showzinho particular pra galera da espera. Tá, não durou nem meio minuto, mas foi simpático do mesmo jeito.

Como quase toda história tem final feliz, muita gente que tinha ido trocar seu quilo de alimento não perecível por ingressos com antecedência, e até essa galerinha da panela do teatro brasiliense que tinha cortesia, acabou não aparecendo e eles imprimiram na hora 30 extras. Consegui os ingressos e entramos correndo, procurando lugares no escuro. Pelo menos dessa vez eu não caí. E diga-se de passagem, conseguimos lugares excelentes, bem no meio. Tá certo, os lugares tavam vazios pq tinha um fotógrafo sentado atrás, que estava obviamente tirando fotos da peça. Mas a gente só foi notar isso depois que já estávamos sentadas e a câmera dele era potente o suficiente pra não ligar muito pras nossas cabeças. Haja vista o barulhão que ela fazia na hora de rebobinar o filme.

A montagem é excelente. Um tanto diferente do original, é verdade, mas bem feita. Curioso é que estava tendo uma outra peça em cartaz em outro teatro da cidade com atores também da escola do Dulcina. Daí o elenco tava defasado e de repente eu percebi que o Malandro era um camarada que era a cara do Murilo Grossi. Murilo Grossi, sabe? Ok, vcs não sabem. Quem é de Bsb vai lembrar dele da propaganda eleitoral do PT. Quem não é, vai lembrar dele da novela d'O Clone. Lembra do Dr. Juca de Oliveira (bah, eu não lembro o nome da personagem dele, mas vcs sabem de quem eu tô falando, o carinha de sombrancelha esquisita e que quando ficou velho ficou loiro, na segunda fase da novela)? Lembra do assistente dele? Não o Marcos Frota, que era um tonto enganado pela vesguinha da Alicinha. O outro. Um de óculos, meio careca. Lembrou? Não? Pois é, é ele o Murilo Grossi. Se não era o próprio que tava em cima do palco, era clone. (entenderam, entenderam?)

E o mais surpreendente foi ele cantando. É, pq pra quem não sabe, a Ópera do Malandro é um musical. Daí as pessoas cantam e talz, né? No cantinho do palco tem uma espécie de 'esquina musical'. Quando os músicos não estão exatamente participando da cena, eles ficam lá, tocando seus instrumentos e cantando pras pessoas atuarem. Numa dessas eu tive a nítida impressão de que o Chico (o Buarque) tava cantando. E quando fui olhar pra esquina dos instrumentos quem é que tava cantando? O ajudante de Dr. Albieri (lembrei, lembrei!!)!!! Impressionante o quanto a voz dele se parece com a do Chico. Mas, nhé, o Chico tem olhos azuis imbatíveis.

E por falar em cantar, eu já disse o quanto eu odeio platéia? Do nosso lado tinha uma distinta senhora que fazia questão de mostrar pra quem estava em volta que ela sabia todas as músicas de cor. E daí ficava tentando cantarolar de tudo um pouco, balançando a cabecinha, como todo espectador chato, errando, fazendo lá lá lá em algumas partes. Um saco. Atrás da gente o fotógrafo e sua máquina super-biônica (e super barulhenta também), que ficava enfiando aquela objetiva enooorme entre nossas cabeças pra pegar o melhor ângulo ou sei lá o quê. Ah, e ainda tinha um bando de desavisados corta clima que parece que se sentiam na obrigação de bater palmas depois de absolutamente todas as músicas. Bleh! Queria um show particular só pra mim. Com o ajudante de Dr. Albieri e os olhos azuis do Chico. Ai ai..

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