domingo, março 16

Momento: até as mães se enganam: Aqui na quadra tem uma casa enorme onde mora um bombeiro e seus pastores alemães. Pouco tempo depois que a gente mudou pra essa casa, quando eu tinha uns 7 anos, minha mãe contou que a mulher do bombeiro tinha morrido. Ela tinha uma filha da minha idade e uma um pouco mais velha. Mas o que mais me impressionou na história toda foi que minha mãe disse que a mulher tinha morrido eletrocutada na banheira de hidromassagem. Eu cresci pensando no quanto deve ser desagradável morrer eletrocutada numa banheira e acabei criando pavor de coisas elétricas na proximidade de água. Pois é, outro dia nós estávamos conversando justamente sobre a filha mais nova do bombeiro e minha mãe:

- Pois é, eu tava conversando com ela e vi umas picadas no braço dela, sabe.
- Sei, e daí?
- Aí eu olhei pra ela com aquela cara, né? Ela percebeu e já veio esclarecendo: 'ih, tia, não pensa bobagem. É que eu tive um acidente e fiquei internada por um tempo no hospital. São picadas do soro.'
- Hmm..
- Mas eu fiquei preocupada, né?
- E pq? Ela não disse que foi do soro?
- Ah, mas a mãe dela morreu de overdose, vai saber que tipo de influência essa menina teve em casa, ou se resolveu se revoltar contra a vida e vai acabar que nem a mãe.
- Não, mãe, a mãe dessa menina morreu eletrocutada na banheira. Eu era pequena mas me lembro da história.
- ...
- Não?
- Bom, eu te contei que ela tinha morrido na banheira de hidromassagem pq eu achei que era menos chocante do que dizer que ela tinha sido encontrado morta com overdose de drogas.

Definitivamente, a imagem de alguém eletrocutado numa banheira pra uma menina de 7 anos não é em nada menos chocante do que a de alguém que tomou remédio demais. E eu acho que nem sabia o que era overdose naquela época!

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