domingo, agosto 3

Eu resolvi ferrar minha vida de vez. É, acho que não me amo mesmo não. Além da UnB, que já me mata suficientemente durante o semestre, do inglês e do francês que mesmo depois de formada eu insisto em estudar, dos dois trabalhos e do PIBIC, eu agora inventei de aprender espanhol. Não que eu goste propriamente da língua, que fique bem claro. Pra ser bem sincera, acho até um bocado chatinha. Mas enfiei na cabeça que deve ser importante pra alguma coisa no futuro, falar 3 línguas não pode ser ruim e, voilà, tô matriculada. Começo minhas aulas semana que vem. Em minha peregrinação pelos cursos de línguas da cidade eu fui até no Goethe ver como era o esquema pra fazer alemão. Confesso que a idéia do alemão me animava bem mais que o espanhol, mas depois da minha experiência sexta à tarde acho que meu cérebro criou alguma espécie de bloqueio. Fiquei bem traumatizada.

Momento: coisas que só acontecem comigo: Primeiro, o Goethe não tem estacionamento. Quer dizer, só uma coisa esquisita com cascalho por onde supostamente devem passar carros. Eu digo supostamente pq, ao menos que vc possua um jipe ou um carro tanque, entrar na tal área de cascalhos pode ser um pouco traumático pro seu carrinho. Como meu Palio já foi bastante maltratado pela vida, eu parei no estacionamento ao lado e desci a pé. A porta de vidro entreaberta tinha um cartaz que dizia: "Caso esta porta esteja fechada, favor tocar a campainha ao lado". Como a porta tava meio aberta eu entrei. Um balcão que eu imagino que sirva de recepção tava completamente abandonado. Um outro cartaz dizia "Institudo Goethe, 1º andar".

Então tá, subir escadas. Sem encontrar viva alma nesse caminho, nem vigia, nem segurança, nem secretária, nem aluno, nem ninguém, eu fui subindo as escadas, no mais absoluto silêncio. Cheguei lá em cima, tudo escuro. Quer dizer, poderia ser pior, se não fossem menos de 5 horas da tarde. Aí eu fui andando, esperando encontrar pelo menos o vigia do lugar saindo do banheiro ou coisa parecida. Pois bem, nem o banheiro eu achei. Não tinha ninguém naquele lugar. E eu sem saber nem onde pedir informações. Desci as escadas, procurei alguém no andar de baixo, nada. Aí subi de novo. Ainda ninguém. Resolvi bater nas portas. Depois de algum tempo no toc-toc, eu deduzi que Sekretariat devia significar secretaria e bati na porta de novo. Com força. Nada. Pensei com meus botões que não era possível que não houvesse ninguém lá dentro se a porta de entrada tava aberta. Daí achei que devia bater em todas as portas até que aparecesse alguém. Eu devia estar na terceira porta quando li o cartaz (lugar cheio de cartazes) que dizia "Protegido anti-roubo pelo alarme sei-lá-o-quê". E eu achei melhor parar. Afinal de contas, era só o que me faltava. Eu lá, querendo saber o preço do curso de alemão e de repente o alarme disparar. Eu já estava imaginando meus pais indo me buscar na delegacia. Meus amigos dando entrevista na televisão dizendo que eu era uma boa e pacata menina. A manchete no jornal "Jovem universitária evangélica tenta arrombar escola de alemão em Brasília. Amigos e parentes garantem: ela estava possuída pelo demônio". Daí eu fui embora. Sem informação. Sem encontrar pessoa. E me matriculei no espanhol.

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