quarta-feira, setembro 3

Rabiscado ontem, lá pela meia-noite, quando o Blogger se recusou a publicar

Eu não sei dar o que recebo. Sério, não sei mesmo. Pode parecer muito mais fácil retribuir um sorriso do que distribuí-los. Eu particularmente não acho. Não sei retribuir. Sei dar o que tá dentro de mim. Complicado? Acompanhem meu raciocínio: se eu tô feliz, mando felicidade como o Silvio Santos joga aviõezinhos de 100 reais no Topa Tudo por Dinheiro. Sou toda sorrisos, bons dias e carinho. Isso acontece na maior parte do tempo. Pouquíssimas coisas abalam meu estado de espírito. Porém...

Porém, se eu tô triste nem vem que não tem. Não posso te dar nada além do que a boa educação ordena: cumprimentos habituais (bom dia, boa noite, por favor, com licença) e meios-sorrisos amarelados. Não consigo fazer festa quando vc chega, quase não rio das suas piadas, mal mostro os dentes. Eu sou uma ingrata: não sei dar o que recebo. Agora, sem querer me justificar mas já me justificando, o lance é que acho essa história de escambo de afeto e sentimentos muito esquisita. Parece troca em mercado colonial: "certo, vc me dá dois sorrisos e leva em troca um bom dia afetuoso e, de brinde, 5 minutos de preocupação de minha parte com a sua gastrite". Não soa nada sincero, né? Pois é...

Embora precise algumas vezes, não gosto de mostrar que gosto se não gosto, de parecer que me preocupo se não me preocupo, de dar a impressão de que amo se não amo. Amor com amor se paga? Não sei. Claro, muito mais fácil gostar de quem te trata bem. Mas amor e amizade não vêm pra pagar favor. É maior do que isso. Não tem porquê. Vc não trata bem um amigo pq ele te tratou bem primeiro. Isso constitui regras de aproximação e pára por aí. Vc o ama simplesmente pq ele é seu amigo, e isso basta, ora bolas!! E é justamente quando ele não te dá sorriso nenhum que ele mais precisa do seu. Às favas com o toma-lá-dá-cá.

Ouvi a repreensão de um certo amigo (que me ama) que em determinado momento de um tal problema eu me calei. E até concordo que provavelmente não foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Mas eu tava tentando ser sincera. Errei querendo acertar. E lá vou eu justificando o leite derramado novamente. O fato é que não dava pra ficar distribuindo sorrisos e afagos e carinhos se eu só queria chorar. Sentar e chorar. Chorar até secar. O mais sensato talvez tivesse sido sorrir e distribuir abraços pouco sinceros de "nunca estive tão bem em toda a minha existência e a vida é uma festa só"! Ou pedir desculpas pra preencher o orgulho ferido de alguém. Apesar de achar que o orgulho (ainda não ferido) deve ser o meu próprio, que não consegue ver grande problema onde certamente há um.

E podem dizer: eu ando muito, muito piegas! E chata. Mas é que blog é bem mais barato que terapia.

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