terça-feira, setembro 2

Rascunhado no verso de um extrato do banco, no trabalho, hoje, 16:05h, dia péssimo

Eu odeio chorar. Peraí, deixa eu reformular pra esse blog não parecer tão paradoxal. Eu choro mesmo durante a novela, choro em romances água-com-açúcar, eu choro até em comercial de margarina. Choro quando vejo os outros chorando. Choro com a dor dos outros. Duro mesmo é chorar pelas minhas próprias tristezas. Esse choro eu não suporto. Não adianta dizer que chorar faz bem, que libera, que lava a alma e o diabo a quatro. Me acho ridícula por não conseguir expressar meus sentimentos ou extravazar minhas emoções de uma maneira mais eficiente que simplesmente soltar água pelos olhos. Não gosto e pronto.

O que não significa que eu não chore. Só que isso acontece raríssimas vezes. Verdade, pode-se contar nos dedos quantas vezes cada um dos meus amigos já me viu em lágrimas. Tirando TPM, lógico, eu só choro por motivos altamente nobres. Claro, tô falando de choro de tristeza. Aquele que a gente não consegue segurar. Aquele que vc entra no carro, coloca os óculos escuros pra fingir que tá tudo bem e desmonta. Que vc encosta a cabeça no travesseiro e soluça até pegar no sono. É, aquele de derreter. Esses são raros. E geralmente muito bem escondidos. Apesar de nem sempre eu conseguir disfarçar a tristeza ou os olhos inchados. É, pq se é pra se esvair em lágrimas que seja em alto estilo, com direito a nariz vermelho e olhos inchados. E eu tô divagando.

Se a importância da causa do choro é média/alta eu choro no chuveiro. Rápido, indolor, imperceptível. Afinal de contas ninguém precisa ficar sabendo. Já causas classe alta/alta dão um choro incontrolável. Não dá pra falar sem sair com aquela voz tremida, tipo a da mulher que faz a propaganda da iogurteira Top-Therm no Note e Anote. O jeito é me concentrar em outras coisas. O período de um satélite a 380 milhas da superfície da Terra pode ajudar. É claro, se o professor não resolver puxar assunto justamente com vc, o que pode vir a te desconcentrar completamente da mecânica celeste e quase (quase!!!) cair em prantos no meio da aula. O que, obviamente, não vai acontecer pq sou uma menina forte. Antes disso eu peço licença pra beber água.

Vai dizer se o gatilho pra um bom chororô não é exatamente a típica pergunta "Vc tá triste?"? Pergunta que, claro, não é repreensível em absoluto. Muito pelo contrário. Acho que o cérebro deve interpretar uma pergunta simples como essa como algo do tipo

"Ok, vc não está legal, e alguém com um mínimo de sensibilidade percebeu. Eu, seu cérebro, não vou te dar outra escolha a não ser explicitar sua fraqueza e tristeza bem aqui, pq se essa pessoa se deu ao trabalho de te perguntar como se sente ela se preocupa pelo menos um pouco com vc. E é com esse tipo de pessoa que vc tem que se abrir. Na pior das hipóteses é só alguma espécie de curiosidade mórbida, mas nesse caso todos nós sabemos que o fim de tal pessoa só pode ser ardendo no mármore do inferno."

No fundo mesmo, provavelmente o que vc mais precisa não são conselhos. Nem palavras bonitas. Só de alguém que diga que vai passar. Que pode demorar, mas vai passar. E que diga isso sinceramente. Que te abrace. Pra que aquelas porcarias de lágrimas escorram logo e vc se sinta um pouquinho melhor. Provavelmente não pq a droga da água salgada lavou sua alma ou coisa semelhante. Mas pq alguém se importou, e isso algumas vezes serve de conforto.

Vai ser difícil me ver chorando. Eu choro enquanto escrevo um blog. A tela me proteje do inchaço e do ridículo. Me proteje também do risco de ninguém se importar. O que afinal só me faria chorar mais.

E isso tá ficando um papo sentimental e melancólico demais.

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