segunda-feira, janeiro 26

Já repararam como depois de uma certa idade se torna muitíssimo deprimente ser solteira? E eu nem tô falando de nenhuma crise dos trinta não. Eu tenho 21 e já sofro isso na pele.

Todos os programas do mundo são para casais. Os restaurantes são cheios de casais. As refeições são servidas para casais. Os cinemas estão lotados de casais. Os teatros são abarrotados de casais. O parque, a igreja, a internet... Casais, casais, casais. E aí vc tem a péssima sensação de que todo mundo se arranja menos vc. Isso só pode significar uma coisa: vc tem algum problema para relacionamentos.

Ok, mas não se desespere. Quer dizer, vc só tem 21 anos. Mas não deixa de ser estranho. No aniversário dessa amiga minha pedi pelamordedeus pra um amigo (comprometido, vale avisar, inclusive namorado de uma amiga minha que no momento está viajando) me acompanhar. Eu tava me sentindo como a feiosinha de óculos dos filmes americanos que não tem par pra ir ao baile da escola. Eu tava imaginando uma festa cheia de casais, já pressentindo que ia me sentir muito mal se chegasse lá desacompanhada. E, pra minha surpresa, foi isso mesmo! Quer dizer, todos eram super simpáticos, inclusive muitas pessoas que eu já conhecia e cuja companhia é agradabilíssima, mas TODAS elas acompanhadas pelos respectivos pares. Gente planejando casamento, namoros recém-começados, de tudo um pouco. E daí eu pensei: eu tenho um problema com relacionamentos.

Há não muito tempo tava me sentindo muito mal com essa história toda. Como "A bolha", uma espécie de geleca extraterrestre totalmente desprovida de sentimentos. Ok, talvez não fosse nada tão dramático assim, mas tava me sentindo mesmo menos humana devido à minha incapacidade de ter meu mundo perturbado pelos outros e perturbar o universo alheio. Era um pouco de carência misturado com um bocado de baixa auto-estima. Combinação explosiva, né? Daí uma amiga me disse que meu problema era que eu nunca achava que era comigo. Seria capaz de olhar pra trás pra ver quem era a gostosa atrás de mim se percebesse um camarada me encarando. É como se na minha testa estivesse escrito: "estou muito bem sozinha". Como plaquinhas de churrascaria rodízio. Eu estaria com uma grande plaquinha vermelha de "Não, obrigada" pendurada no pescoço.

Daí eu passei da fase depressiva pra de negação. Melhor que entrar em pânico era me convencer de que, afinal de contas, não havia motivo pra desespero. Antes só do que mal acompanhada e etc. Faço um esforço danado pra não me sentir incomodada nos programas de casais. Claro, pq a situação não seria ruim o suficiente se absolutamente todos os meus amigos já não tivessem encontrado sua cara metade. Amores lindos, diga-se de passagem. Inclusive fui no casamento de uma amiga outro dia. Fiquei feliz por ela. Mas nada me tira da cabeça que tenho algum problema com relacionamentos.

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