sexta-feira, fevereiro 27

Quarta-feira de cinzas, às cinco horas da tarde, eu percebi que só pededoras mal-amadas como eu e casais de velhinhos vão ao cinema na Academia de Tênis.

Ops!.. Ofendi alguém? Foi mal, a única perdedora mal-amada aqui sou eu. Mas voltando à vaca fria.

Eu estava muito bem sentada com minha pipoca (quentinha, recém saída da pipoqueira), ocupando propositalmente as duas cadeiras do meu lado (tô numa fase meio anti-social), uma com a bolsa, outra com a latinha de refrigerante, observando os casais heptagenários que entravam na sala de cinema antes do filme começar. E eu estava lá, pensando em como eu queria um dia um velhinho pra chamar de meu, quando um casal de mais ou menos uns 60 anos se sentou ao meu lado. Mais especificamente, o velhinho quase que senta em cima da lata de refrigerante. Claro, antes eles passaram por uma loooonga discussão sobre qual era o melhor lugar, a disposição das cadeiras na sala, o ar condicionado, enfim, foi um estudo logístico completo.

Pois bem, daí começaram os trailers. Falaram de todos (eu disse todos) os filmes que foram anunciados, da filha da vizinha, do ar condicionado e da disposição das cadeiras na sala novamente, pra não perder o hábito. Aí enfim Adeus, Lênin! começou. Aliás, vale dizer que o filme é bom pra caramba e vale muito à pena ser visto. Acho que os velhinhos também gostaram, apesar de não estar bem certa de eles terem entendido muita coisa a respeito do filme. Não que ele seja algo complexo, ou um daqueles filmes alemães que exigem reflexão ou atenção. Mas eles ficavam o tempo todo se explicando o filme, tenho certeza de que perderam um bocado dos diálogos, não é possível!! A velhinha, então, acho que pensava que o coitado do marido dela ou era surdo ou era besta: "Ele não quer que a mãe saiba, entendeu?" "Xii.. a irmã chegou em casa" "É que neném aprendeu a andar." e por aí vai, durante duas horas.

Mas o que me fez ganhar a noite/tarde/momento-looser foi um dos comentários do casal. Em certo momento do filme, alemães do lado socialista vão pela primeira vez ao lado capitalista. Entrar em contato com a cultura ocidental pra eles é fantástico, e vc se depara com um grupo de aproximadamente dez pessoas, homens e mulheres de várias idades, em frente a uma televisão 14 polegadas onde uma loira mostra os seios do tamanho de bolas de basquete (sim, basquete!!!). A velhinha:
- Que horror!
- O que é isso?
- Parece chantilly..
- Ela tá lambendo..
- .. o chantilly do próprio seio. Que nojo!
- Que horror, que horror!

Tá, foi meio constrangedor, como se eu estivesse vendo um filme pornô com meus avós. Mas bem que eu ri por um bom tempo quietinha...

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