terça-feira, março 2

Tive um final de semana riquíssimo, linguisticamente falando, e em homenagem ao Oscar. Fiz o rapa na locadora: tive meu momento derrota blockbuster.

Primeiro, foi o filme americano. Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo - Mas tinha medo de perguntar, do Woody Allen, é uma comédia com vários quadros que se propõe a responder algumas perguntas fundamentais sobre sexo, como "Afrodisíacos funcionam?" ou "Por que algumas mulheres não chegam ao orgasmo?". Destaque pro último deles, de título "O que acontece durante a ejaculação?", que rende ao filme uma lista de créditos com espermatozóide 1, por exemplo. Um humor meio pastelão, mas gostoso e engraçado sem ser apelativo.

Depois, foi o francês. A discreta (intimidade de uma mulher) (a parte entre parênteses pessimamente acrescentada na tradução do título original) é um filme estranho. Especialmente pq ele acaba quando vc ainda tá esperando que muita coisa vá acontecer. É uma história de amor, sobre um cara que é chutado e decide se vingar do gênero feminino escolhendo uma pata ao acaso pra seduzir e depois abandonar. Vc pensa que sabe como é que essa história acaba, né? Engana-se. Foi prêmio de crítica no Festival de Veneza.

Aí veio o espanhol. Sexo, pudor e lágrimas, de Antonio Serrano, é o filme, me disseram, inspirador do brasileiro Sexo, amor e traição, que eu por sinal ainda não assisti. Bacana, trata da guerra dos sexos sem grandes surpresas e com final feliz. E final feliz não significa que todos os casais terminam juntos não. Mas é bonito e gostoso de assistir.

Daí veio o dinamarquês. Um filme sobre dinamarqueses aprendendo italiano. Italiano para principiantes é mais um filme do movimento Dogma 95, mas sem cara de Dogma, entendem? Porque Festa em Família é bizarro. Primeiro que o tema abordado é meio punk, depois que o estilo "vamos fazer tudo de maneira amadora" desse primeiro filme à lá Dogma é bem inusitado. Em Os idiotas a câmera ainda desfoca algumas vezes, e tem gente correndo pelada demais por lá, mas fica um pouco mais leve. Mifune chega até a ser bonitinho, quer dizer, não é nada singelo nem delicado, mas também não é nada chocante. Italiano para principiantes, pode-se dizer, é até bem feito.

Quer dizer, vc identifica o jeito uma-câmera-na-mão-e-uma-idéia-na-cabeça de ser, mas dessa vez dá a impressão de que o Dogma comprou umas câmeras a mais e agora se permite até apresentar a cena em mais de um ângulo, arriscando até uma trilha sonora em alguns momentos. Além disso, o roteiro é leve, sutil, engraçado, podendo até ser classificado como uma comédia romântica, o que eu imagino que faça os camaradas dinamarqueses se revirarem de desgosto. Os personagens são simpáticos, os atores são bons, o enredo gostoso.

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