quarta-feira, maio 12

O grande problema em grupos grandes de pessoas muito íntimas é essa mania que as pessoas têm de achar que são um-só-corpo, ou uma família, ou sei lá mais o quê. Uma família, de pessoas que se amam e se ajudam e que estão sempre lutando uma pelo bem das outras, que se compreendem e relevam, com sentimentos inabaláveis. Parece lindo, né? O problema tá justamente pq a parte boa do lance família a maioria esquece. Compreender e relevar, especialmente, estão fora de cogitação. Todo mundo finge que se ama e vai ser feliz.

Mas nem era esse o ponto no qual eu queria tocar quando comecei com esse papo brabo. O problema da família é a falta de privacidade. Já experimentou contar alguma coisa pra sua mãe e, siceramente, esperar que ela não conte pro seu pai? Pois é. Frustrante, concordam? É mais ou menos assim que funciona. Quando as pessoas começam a ficar íntimas demais, se perde completamente a noção de privacidade e vira oba-oba: todo mundo acha que tem que saber da vida de todo mundo. E mais, se sente no direito de dar palpite. Já repararam?

Eu não tô sendo hipócrita o suficiente pra dizer que não gosto de ficar sabendo das fofocas, quem tá pegando, quem tá brigando, quem tá falando mal de mim. Mas parto do princípio de que se alguém não me diz alguma coisa, das duas uma: ou não é da minha conta ou não era pra eu saber. A questão toda é que pressupõe-se que segredo é segredo e ponto. Ainda mais quando se trata da vida dos outros. Aí já imaginou, o camarada fazendo papel de trouxa pq todo mundo sabe algum segredo dele na base do disse-me-disse, quando ele deixou bem clara, depois da história cabeludíssima, a célebre frase "Mas não conta pra ninguém, tá?".

Eu também não tô dizendo que minha língua não coça pra fazer uma fofoca, sou humana, ora bolas. Mas eu tento me controlar. Pior é que tem gente que nem tenta.

Hoje em dia eu sou bem mais cautelosa com meus segredos. Porque eu sei que mais dia menos dia a família inteira fica sabendo. E sem minha autorização.

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