quarta-feira, agosto 4

Eu acho que a gente começou a se dar bem. Isso demorou um bocado, pq eu passei bastante tempo achando que ele simplesmente não gostava de mim. É, não ia com a minha cara mesmo. Não que eu tivesse alguma vez na vida feito algo pra aborrecê-lo, mas enfim, às vezes o santo não bate. Simples assim. Já tava me conformando quando a resposta praticamente caiu no meu colo: ele tinha medo de mim.

Medo de quê, exatamente, eu ainda tô ensaiando descobrir. Talvez um pouco por achar que eu poderia estar me apaixonando (ou coisa semelhante). E isso era mau, muito mau. Porque se apaixonar é pedir pra sofrer, e ser objeto de paixão é igualzinho que nem fazer alguém sofrer, e ele não queria me fazer sofrer. Taí. Apesar de superconvencido, era uma atitute bacana na essência, eu acho. Tá, eu admito, na hora eu não achei nada legal não. E ainda não acho, mas tô dando uma de Pollyanna. Já que, vale dizer, eu não tava nem perto de apaixonada.

Mas na verdade eu comecei esse assunto pq andei pensando em poder. Na auto-escola passaram um desenho animado que eu já tinha visto quando era criança: o pateta é Mr. Walker, um pacato cidadão pedestre. Do tipo que cumprimenta os vizinhos, afaga caezinhos e faz bilu-bilu em criança. Mas quando ele dirige um carro ele vira Mr. Wheeler, praticamente uma versão encarnada do Belzebú, capaz de atropelar velhinhas nas calçadas.

Pois é. Vc pode ser uma pessoa legal e levar relacionamentos sociais saudáveis sendo Mr. Walker, com inseguranças humanas numa vida onde shit happen. Mas daí um belo dia alguém te diz eu te amo e vc sente que tem aquela pessoa na mão. E assim se torna um Mr. Wheller que simplesmente desanda todo o processo!

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