sábado, outubro 23

O que eu sinto por ele não é paixão. É um carinho muito grande de querer bem, mas não é amor de namorados. O que tem me tirado o sono nos últimos dias é aquela boca.

Eu nunca tinha parado pra reparar, mas de repente me veio uma avalanche de pensamentos impuros, de vontades, de arrepios pela espinha. O cheiro do fresco hálito quente perto do rosto, que eu já senti tantas vezes ao longo de todos esses anos, sem maldade alguma, com sincero amor fraternal, nunca tinha me despertado nada a não ser o conforto de estar com alguém que gosta de mim. O amor fraternal ainda continua aqui, mas a boca...

Isso é inédito pra mim. Mulheres sempre querem caras que andem a seus pés, que as achem "seu tudo, seu céu, seu mar", que escrevam cartas de amor, que liguem no dia seguinte. Tudo bem, esse também é meu ideal, e é assim que eu quero o tal cara-da-máquina-de-coca-cola-que-não-olha-pra-mim. Quero poemas, olhar apaixonado e passeio no domingo à tarde. Mas com o cara da boca...

Com ele eu só queria as mãos grandes na minha cintura, aquela boca na minha nuca, o diacho do hálito quente no meu ouvido sussurrando não importa o quê. Eu não queria telefonemas, nem juras de amor, nem promessas secretas, nem casamento e filhos e cachorro. Eu queria risos na cama, eu queria beijos suaves no colo e o leve roçar da barba mal feita nas minhas costas. Não queria olhar pro futuro, só queria seus olhos fechados olhando pra mim. Eu queria culpa, muita culpa. Uma vez só, eu queria aquela boca...

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