domingo, novembro 7

Eu queria sumir. Pronto, taí, isso sim seria solução. Sumir do mapa, não dar nem notícia, ir me enfiar numa cidade de interior e cuidar de vacas. Tá. Nada de vacas. Mas eu queria um lugar bem frio, onde ninguém me conhecesse, onde eu pudesse andar completamente incógnita pelas ruas, enfiada num casaco grande e fofo marrom, e viver a minha vida. Não que isso seria muito diferente do que me acontece, tirando pela parte do casaco, porque aqui anda fazendo um calor dos diabos. Nada seria diferente, mesmo com uma placa de sinalização luminosa e com recursos sonoros.

Tô mal-amada sim, e daí? Tô num mau humor dos diabos, tô me sentindo rejeitada, tô me sentindo burra, tô me sentindo feia e, especialmente, tô cansada. Eu sinto um sono que não passa, e me conhecendo bem eu sei que isso é só uma fuga besta de quem já se encheu de chorar pro travesseiro. Aquele idiota quer me manter numa prateleira de reservas, e se sente no direito de dizer que tá com saudades quando não sente saudades porra nenhuma. Nada do que eu pense, sinta ou faça muda aquela cabeça oca e dura. E meu futuro vai ser vê-lo andando de mãos dadas com alguma Galatéia por aí, feliz com sua estátua de mármore, simplesmente pq Vênus olha pra todo mundo menos pra mim.

É ridículo ir à luta. Simples assim, acho que ridícula sou só eu. Tomar na cabeça faz parte da vida, mas eu tô de saco cheio de ser ponto fora da curva estatística. Ah, tá, é problema de auto-estima achar que necessariamente o problema é comigo, né? Ok, então deixa eu te contar uma novidade: problema maior ainda é imaginar que é o resto do mundo que precisa usar lentes de aumento pra enxergar aquilo tudo que eu tenho de "maravilhoso". Quer ver piorar? Maior problema é a pedância de dizer que o problema é com eles, afinal eu sou realmente encantadora, meiga, uma fofa. Sou fofa o cacete.

Eu sou útil, mas só às vezes. Quando não, me coloca ali num cantinho e grita quando precisar.

Nenhum comentário: