segunda-feira, dezembro 6

O Blogger tem se mostrado bastante relutante em me deixar postar. Acho que até os deuses cibernéticos reconheceram que eu me tornei uma detestável figura resmungona e querem poupar a humanindade virtual da minha rabugice. A questão é que pra infelicidade (virtual) da comunidade bloguística, eu tomei uma importante resolução de vida, dessas típicas promessas de ano novo, só que um pouquinho adiantada.

Depois de chorar na segunda feira passada por quase 12h ininterruptas, eu me senti um pouquinho... pior. Pois é. Não bastasse estar me achando a terceira lata de leite condensado, incontrolável eu até tentei parar, mas não deu. Meu corpo pedia lágrimas. E eu desisti de tentar esconder e só parei quando a fonte secou, o que aconteceu um pouco depois de eu pegar no sono. Se isso tivesse acontecido no aconchego do meu lar ou num bosque deserto debaixo das árvores eu talvez até me sentisse aliviada depois de tanto chororô. O problema é que foi ali, pra todo mundo ver. Eu desabei em lágrimas por volta das 11h da manhã, no meio de uma conversa qualquer que podia ser sobre a cor das cortinas, mas, pô, eu tava péssima.

Eu me senti tão exposta, tão frágil, tão... chata. Todo mundo pareceu tão chocado em descobrir que eu não sou alto-astral, que eu não sou sorridente, que eu não sou confiante, que eu não sou forte, que eu não tenho resposta pra tudo, pombas! Porém, além da surpreendente constatação de que eu não sou uma fofura, eu podia ler na indiferença de uns e na pseudo-preocupação de outros que pra muita gente eu só tava tendo um xilique. Eu quase consegui ler uns pensamentos que diziam que eu queria mesmo era chamar a atenção. Ah, e tiveram aqueles que pensaram que era frescura, que eu tava exagerando. Como assim, a chorona ainda não parou de chorar?

Daí eu peguei as minhas coisas e fui... pro mato! Quer dizer, mais ou menos, não bem mato. Eu sentei lá, na grama, debaixo de uma árvore, num canto mais afastado que não era perto da passagem de pessoas e chorei. Sozinha. Chorei até meus olhos arderem. Eu não queria que tivessem pena de mim. Eu não queria que ninguém soubesse que eu tava me sentindo assim. Como já era, eu juntei o pouco de dignidade que me restava e fui lá ficar junto dos pássaros.

E foi uma semana em preto e branco. Os dias anteriores tinham até sido em tons de cinza, eu ainda chorei um bocado sozinha, mas imaginar os julgamentos (todos errados, vale ressaltar) que estavam sendo feitos a meu respeito me ajudaram a me comportar como uma lady. Meio apagadinha, meio abatida, mas uma lady, que não borra a maquiagem em público. Só que eu ainda não tava satisfeita, e foi aí que veio a promessa de ano não-novo, que justifica toda essa lenga lenga melodramática e que afinal de contas era o ponto principal dessa conversa.

De agora em diante, a vida só é uma merda nesse blog. Fora daqui, tudo são flores e eu sou praticamente Xuxa contra o baixo-astral. Tá tudo ótimo, se melhorar estraga, o mundo é cor-de-rosa, eu sou feliz, eu sou capaz e, muito importante, eu confio extremamente no meu taco, intelectual, física e psicologicamente falando. A questão é que eu preciso de uma válvula de escape, mas pelos menos aqui as pessoas têm a opção de nem dar as caras, ou de fechar a janela se a conversa ficar muito chata.

De resto, eu já tô ensaiando:
-Oi, tudo bem?
-Tudo perfeito. Ô!

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