sexta-feira, novembro 11

E estão dizendo por aí que a Ana Maria Braga e o jogador Roberto Carlos estão se pegando.

Pense num mal gosto generalizado.

quinta-feira, novembro 10

A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso

Carne e Osso - Zélia Duncan e Moska

quinta-feira, outubro 6

A verdade é que a gente adora um drama. Daqueles bem mexicanos, daqueles que te permitem chorar, e sofrer, e ser vítima de intrigas e enganos, tudo por uma promessa de final feliz. Na vida mesmo, eu tô falando. Se tudo está bem demais, a gente sempre se pergunta o que é que há de errado, procura um defeitinho e se agarra a ele e não larga mais. E de vez em quando eu até acho que uns arranca-rabos fortificam certos relacionamentos, e estar com outro é isso aí, na saúde e na doença, na tempestade e na bonança. Mas existem certos casais que vou te contar, viu!

Um casal de conhecidos namora desde que o mundo é mundo, desde que Adão e Eva descobriram o que era bom, desde a época do tacape e dos macacos. E desde então eles brigam sempre pelos mesmos motivos. Se desentendem sempre pelas mesmas besteiras. Depois se acertam de novo, colocam uma pedra por cima do assunto e fingem que nada aconteceu. Pra dali a algum tempo, num momento de calmaria qualquer, entre um beijinho e outro, ressussitar o diabo do problema de sempre. Não sentam e resolvem, nem têm coragem suficiente pra dar um tempo um do outro pra repensar as atitudes e os sentimentos. Que nem o Ed e a Sol, que estão naquele lenga-lenga sem fim, sofrendo nem me lembro mais pelo quê, ao invés de botarem logo os pingos nos i's e ficarem juntos de uma vez.

O problema é que se Feitosa e Islene deixam de se encarar amarguradamente na rua, a novela acaba e o povo pára de assistir. Porque todos adoramos um drama. O problema é quando a sua própria vida se transforma num desses dramalhões, com mocinha chorando sem parar ou homem bobo sofrendo como só a Gloria Perez sabe inventar (fala sério, não existe homem bobo do tanto que ela pinta não, não é possível, cada mané!). Uma conhecida, por exemplo, terminou com o namorado depois de mais de 2 anos de namoro. Daí sofreu o que tinha que sofrer, tava lá dando bobeira e seguindo a vida dela como tinha que ser quando surgiu um pretendente fofo e interessado. Ela já colocou mil e um empecilhos pra acontecer, mas foi deixando rolar, afinal ninguém normal reclama de côrte. Quando o rapaz finalmente se declarou, ela foi sincera e lançou logo "se vc me quer, tem que saber que eu ainda sou apaixonada pelo meu ex e que eu nunca vou me apaixonar de vc".

Meio forte, eu concordo, mas também estou de acordo que as coisas tinham que ser às claras, é todo mundo grandinho e se supõe que é sempre melhor saber onde se está metendo do que ser enganado. Pois bem. O rapaz não se deixou intimidar e mandou ver que por ele seria daquele jeito mesmo, e que ele estava disposto a mostrar que ela poderia mudar de idéia. Deste dia em diante ela se transformou numa máquina de reclamação ambulante. E ele no avesso do que se poderia esperar. Ela reclamava que ele não tentava conquistá-la. Ele até que parecia que estava se esforçando, mas não muito. Ela reclamava que ele não tomava nenhuma iniciativa. Ele passou a mão onde não devia e ela achou ruim. Ela perguntava a cada cinco minutos o quanto ele gostava dela, mas diante da mesma pergunta ela sempre dizia que estava "assim, assim" e que não sentia lá essas coisas.

Acontece que um dia ela veio com o clássico "você me ama?" e a resposta foi um relutante "não sei...". Isso foi o suficiente pra que se estourasse a terceira guerra mundial dos relacionamentos, pra que ela entrasse em crise, ficasse triste e praticamente em prantos, se achasse rejeitada, enganada, iludida, e o pobre se tornou nada mais do que "tá vendo, stella, eu te disse que homem nenhum presta". Diante de tamanha "decepção", ela resolveu logo dizer que não ia dar certo mesmo, que ele não era nada do tipo de homem que ela procurava, que ela queria um homem maduro e que soubesse o que quer (ah, querida, quem não quer, me diga?) e deu logo um jeito de chutar o tal. Dois dias depois foi à casa dele pedindo pra voltar. Ele disse que as coisas não eram assim. Dois dias depois disso ela lhe tascou um beijo de surpresa. Ela se descobriu perdidamente apaixonada. E eu fico me perguntando: como assim, Bial?

Por que a gente insiste em histórias que não dão certo? Não se desliga de casos de amor platônico que não vão pra frente? Não se deixa envolver pela vida que segue e por um novo amor que pode ou não surgir? Por que diabos a gente não consegue passar uma borracha nos problemas e começar do zero ou tentar um caminho diferente? Por que raios a gente não esquece, por mais que se queira esquecer? Será que a gente quer mesmo?

O sentimento intenso é encarado como o único e o último, como o maior, como o incomparável, e vale mais sofrer e manter a lembrança deste que não se repete do que depositar as esperanças em encontrar outro que ocupe este lugar. Ou quem sabe alimentar este sentimento tão intenso que nunca vai te levar a alguma realização, só por medo de ter que arrancar aquilo de dentro de você à força e ficar com o buraco. Ora bolas, o buraco mais dia menos dia fecha, a ferida sara, a caravana passa e a fila anda! Por que a gente foi levado a acreditar que se é mesmo amor é pra sempre, e vc nunca vai conseguir se livrar dessa praga, por mais que tente, como a Sol e o Tião?

Alimentar lembranças não é tentar. Alimentar esperanças não é tentar. Olhar as fotos, telefonar pra ouvir a voz, nada disso caracteriza tentar. E, falando de mim, eu estou sendo tão dura comigo mesma porque eu sei e tenho consciência de que certos sentimentos só me fazem mal, são irrealizáveis, são inalcançáveis, me fazem sofrer, e eu ainda insisto neles. Como a Sol, o Ed e o Tião. Mais dia menos dia vai chegar a hora de substituir tanto drama por uma comédia pastelão. Aí sim, vai dar pra viver.

sexta-feira, setembro 30

A gente não se perde no caminho da volta.

Ou coisa assim. Escutei hoje no rádio. Gostei. Foi o Sarney quem disse, mas quem se importa? A frase não é dele mesmo. E eu não me lembro de quem é. Mas quem se importa? Gostei.
Conversa numa mesa de bar, depois de encher a fuça de pamonha e cantar "pamonha, curau, se eu te dou minha pamonha cê me dá o seu curau?", pq toda mesa de bar tem que falar de política, de futebol, da novela das oito e, no nosso caso, da física quântica:

A: - Ah, mas eu acho hipocrisia. Todo mundo tem seu preço e todos temos nossos limites.
B: - É, haja vista a onda de "honestidade" que parece estar atingindo o nosso país.
C: - Não é bem honestidade, né?
D: - A verdade é que nesses negócios tem sempre um que ganha menos.
C: - E que vira o dedo duro.
A: - Aqui nessa mesa somos todos seres idôneos, claro.
B: - Falem a verdade, dessa mesa quem será que vai ser o dedo duro?
E: - Ah, acho que vou ser eu.
Todos: - Credo!
D: - Bom, isso quer dizer que em qualquer esquema de corrupção que a gente pensar em armar, o Luiz vai ter que ganhar mais, é isso?
E: - Não, é que com certeza eu vou ter ex-mulher.
E o blog tá capenga, mas talvez haja um motivo razoável pra isso. Ora bolas, eu nem percebi e a casa comemorou seus 4 anos assim, meio abandonada, meio esperançosa, meio desajustada. Meio velha, meio criança e meio adolescente, respectivamente.

sexta-feira, setembro 16

Diálogo no jogo do Brasil entre uma mãe e seu filho de uns 7 anos, naquela fase de alfabetização em que a criança lê tudo o que vê pela frente:

- "Vas-co sim, Eu.. Eu-ri-co não".
- ...
- Mãe, o que é "Eurico"?
- Eurico é o chefe do Vasco, filho.
- ...
- Um cachorro safado.

Ensinando a criança desde cedo.
Eu me sinto meio jeca de admitir, mas confesso que acho super estranho perceber que aquelas pessoas que aparecem na televisão existem de fato, e não são bonequinhos de 15 cm de altura dentro do tubo de imagem. Tô falando isso porque fui ao jogo do Brasil contra o Chile, que foi aqui em Brasília lá no suuuper estádio do Mané Garrincha, que disseram que tava reformado.

Eu já tinha desistido de ir. Primeiro pq tava muito caro, e me deu mais raiva ainda ver o moço dos esportes (sei lá o que aquele cara é!) dizer na televisão, em praticamente todos os canais, que "esse é o preço de Brasília, o pessoal daqui já se acostumou" quando perguntado porque os ingressos aqui eram tão caros. Se acostumou o escambal, mas enfim. Além disso, tinha lido várias matérias condenando o estádio, dizendo que ele não era seguro, que a reforma não tinha servido de nada e que ele não ia conseguir abrigar todas as 40 mil pessoas.

Foi uma coisa meio de última hora, eu já tava lá por outro motivo e, faltando 15 minutos pro início do jogo, comprei o ingresso a preço de banana de um cambista e me arrisquei. O ingresso tava tão barato que fiquei com medo de não passar na roleta. Mas passou. Tava lotado! Claro, jogo do Brasil, não era pra menos. Ainda mais depois de tanta propaganda, aquela conversa mole de que "pode decidir a ida pra Copa", como se não fôssemos ter mais nenhuma chance de disputar essa vaga. Enfim, me enfiei lá junto de uma família muito simpática, que tinha levado os dois filhos pequenos pro jogo, que eles infelizmente não estavam conseguindo aproveitar muito pq simplesmente não dava pra ver quase nada. Eu sei porque sou baixinha. Fiquei lá, vendo o jogo entre as cabeças de dois caras que tava na minha frente e me senti como se estivesse vendo o jogo na televisão, só que sem a tecla de mudo pra acabar com o maldito barulho que aquelas bóias da Brahma faziam e sem o Galvão Bueno. Daí eu vi o Robinho. E o Ronaldo, e o Adriano, e o Kaká (ah, o Kaká...) e, meu Deus, eles existem mesmo! A sensação começou meio estranha, mas passou depois do primeiro gol.

Daí eu percebi a primeira grande desvantagem de se ver o jogo em estádio: não tem Replay! Eu não consegui ver o gol, meu irmão também não, o cara que tava do meu lado falou pra namorada que tinha perdido o gol e meu pai, que tava em casa, viu tudinho, várias vezes, e sem pagar nada por isso.

quarta-feira, setembro 14

Eu, que sou mesmo rata de teatro, às vezes me dou bem e às vezes me meto em cada roubada. Radio Esmeralda AM, por exemplo, foi uma peça de teatro que me surpreendeu. Positivamente, vale dizer. É incrivelmente simples e divertida. Um show, leve, despretensioso, completo, com tudo o que um show pode ter. Bom, menos engolidores de facas e domadores de leões, mas ninguém vai ao teatro esperando encontar isso, certo? As moças cantam (muitíssimo bem, por sinal), se dão muito bem com improvisos da platéia e são absurdamente carismáticas.

Ao contrário, fiquei bastante desapontada com a última peça dos Parlapatões. O primeiro espetáculo deles que eu vi, ppp@WllmShkspr.br, foi tão bom, mas tão bom, que eu virei fã dos caras. Tanto, que alguns anos depois eles voltaram pra cá apresentando outra, Sardanapalo eu fui uma das primeiras da fila. E me surpreendi pela completude: os caras, dançam, cantam, sapateiam e fazem malabarismo com facões. O máximo. Daí fiz a maior propaganda quando soube que eles vinham com As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro, comprei o ingresso com a maior antecedência pra não correr o risco de ficar sem.

Bom, eu não sou nem crítica nem entendida de teatro, mas na minha opinião, sendo bem simpática, a peça pode ser definida como... chata. Eu não vejo por que pra se criticar algo tenha que se fazer polêmica, falar alto, falar palavrão. Eu acho que peguei o espírito de contestação, mas não acredito que havia necessidade de ser tão rude. Um desapontamento só. E quem foi por indicação minha deve estar me xingando até agora...

segunda-feira, agosto 15

E vi outro dia um filme inglês lindo, chamado Caiu do céu, sobre duas crianças que encontram uma mala de dinheiro cheia de libras a poucos dias da mudança da moeda pro Euro. É um filme divertido, bem feito, engraçado e absurdamente tocante. Saí do cinema com aquele nó na garganta de quem queria chorar mas não conseguiu, sabe como é? Um filme bonito, uma idéia simples e muitíssimo bem desenvolvida. Certamente um dos melhores dos últimos tempos. E olhe que em geral eu não gosto de filmes com crianças.
E hoje eu queria, dicumforça, o anonimato. *sigh*

quarta-feira, julho 27

Tudo o que te disserem sobre São Paulo é propaganda enganosa. Ok, nem tudo. Mas aos desavisados como eu, as coisas lá fecham, sim, como em todo lugar. Nada funciona no domingo de manhã, nem padaria, como em todo lugar. Nem todo mundo anda de terno, mas eles de fato fazem tudo muito apressadamente: falam, comem, andam. A poluição irrita sim os olhos e a garganta.

Ah, e alguma coisa naquela água faz meu cabelo liberar a má índole dele e ficar pior do que ele já é. E, acreditem, isso é beeem difícil.
Ah, e eu não queria vir com aquele papo chato de "eu te avisei", mas..

a Ana passou pra Medicina!

Bem que eu tinha dito.

quarta-feira, junho 29

Pois bem, eu persegui o Giba.

Dia desses teve jogo de vôlei pela Liga Mundial aqui em Brasília. Contra Portugal. Pois é. Enfrentei fila, comprei ingresso, acordei cedo no domingo, coloquei minha camisa amarela e fui. Pra quem tá achando que eu tenho uma daquelas camisetas do Banco do Brasil, enganou-se. Naquele domingo eu implorava por uma daquelas. Sim, pq é a sua única chance de ver o jogo do melhor ângulo e ainda aparecer na Globo, já que, ao contrário do que eu pensava assistindo aos jogos pela televisão, só está com aquela camisa amarelo ovo o povo que tá do lado da arquibancada que vai ser filmado. Não que eu fizesse questão de aparecer na globo, mas enfim.

E daí que eu acordei de madrugada e, pra minha surpresa, muita gente resolveu fazer o mesmo e enfrentei fila. O ginásio já estava quase cheio quando finalmente consegui entrar, mas ainda tive a sorte de pegar um lugar de onde se via a quadra inteira, longe daquele ângulo de visão de fundo de quadra que às vezes a Globo insiste em mostrar pra ver se inventa moda e ninguém acerta um acordo sobre se a bola foi fora mesmo ou não. De todo jeito, meu lugar era bom. Ruim mesmo foi ter que ficar aguentando o animador de torcida que esgotou todo o repertório de gritos de guerra e inclusive puxou pela memória alguns daqueles usados nas colônias de férias quando se é criança.

Mas pena mesmo eu tive foi do Jacaré. Por algum motivo que eu ainda não descobri qual exatamente, o mascote é um Jacaré. E não satisfeitos em fazer uma pobre alma vestir uma roupa de Jacaré, dentro da qual o camarada não enxerga nada, a organização ainda queria entreter o público nos intervalos dos sets fazendo o coitado do jacaré cego pular amarrado a uma corda elástica, descer de rapel e dançar pra torcida. Lamentável.

Bom, findo o jogo, estava lá eu esperando o povo ir embora pra evitar o engarrafamento e observando os atletas portugueses, muito corteses e simpáticos distribuindo autógrafos e sorrisos pra tietes histéricas que queriam abraçar alguém, não importava quem. Uma louca gritava "Anderson, ô negão gostoso, olha pra mim!" e todas estava mesmo era querendo um Giba pra chamar de seu.

Daí que esperei um tantão e nada de diminuir o tal engarrafamento. Resolvemos ir embora assim mesmo. Ni qui entramos no carro, eu e uma amiga, vimos o ônibus com os jogadores ir pro caminho oposto ao do engarrafamento monstro. Reação instintiva? Ora essa, seguir o ônibus, afinal o máximo que poderia acontecer era que ele fizesse um caminho alternativo e particular e guardas de trânsito carrancudos nos mandassem voltar. Surpreendentemente, o ônibus fez sim um caminho alternativo, livre livre de tráfego, e como tava indo pras bandas do nosso caminho mesmo, continuamos seguindo. Foi quando veio a bifurcação: minha casa pra um lado, o ônibus pro outro. Que dúvida? Seguimos o ônibus. Ora essa, eu tava mesmo era curiosa pra saber onde é que eles iam almoçar. Sei lá, me baixou um espírito do 3 a 0, uma coisa meio em cima embaixo e puxa e vai. Curiosidade mesmo.

Várias especulações no caminho, o ônibus finalmente parou no Pier. Eu lembro que desci do carro calmamente (bom, mais ou menos), só que completamente despreparada, sem máquina fotográfica nem bloquinho de autógrafos. Eu tava tão besta, mas tão besta, que fiquei do lado da porta de saída do ônibus, vendo todos eles passarem por mim e fazendo uma espécie de jogo de adivinhação:

-Ai meu Deus, o Ricardinho!
-Ai meu Deus, esse é o Dante ou o André Nascimento?
-Quem é irmão de quem?
-O Gibaaaa!!

Eu confesso que não acho o Giba em si lá grandes coisas não, mas fui tomada pela euforia do momento (ok, não só eu tive a idéia de seguir o ônibus: duas loucas armadas até os dentes de acessórios de fãs e um moço de moto), fazer o quê? Não, não pulei no pescoço dele, nem gritei "Giba eu te amo". Eu entrei no carro de voltei pra casa pra comer peixe assado.

Concordo, não foi emocionante.
Eu acho que tenho uma boa explicação pra ter demorado tanto pra voltar aqui: sabia que assim que pusesse os pés pra dentro por essa porta, estaria admitindo pra mim mesma o que não queria admitir. Remoí e remoí e tanto abafei isso dentro de mim, que essa noite tive um sonho, daqueles que vc se sente triste quando acorda, parte por não ser verdade e parte por se dar conta de que queria muito que fosse verdade.

Pois bem. Ele está namorando. É, o camarada da máquina de coca-cola. Aquele, que me disse um monte antes de me beijar e não me disse nada depois. Que tinha um problema com relacionamentos, que me disse com todas as palavras que não poderíamos ter nada pq ele não acreditava em amizade E qualquer outra coisa juntos, que com ele só poderia ser uma das duas coisas, e nós éramos muito amigos. Amigos uma ova. Mas enfim. Aquele que não se entregava nunca. Pois bem, tá namorando. Daí eu poderia pensar que essa criatura bem que poderia ser página virada. E era. Digo é.

Mas não posso evitar de pensar que se ele está namorando e não é comigo, a questão não era se ele tinha ou não problemas de relacionamento. E sim, e isso ficou bem claro na minha cabecinha doentia, que a questão era um problema comigo. E isso eu ainda não consegui engolir. Bota aí mais uns anos pra digerir. Na Listinha de Traumas da Stella (ou Motivos Pelos Quais a Stella Nunca Abre o Coração) ele vai estar lá. E o que eu não aguento mesmo é o fato de isso me incomodar. Nhé nhé nhé, eu não aguento mais esse disco arranhado que virou minha vida amorosa. Vida odiosa, isso sim. E fiquei reprimindo esse sentimento de rejeição, não me permitindo sentir isso, e consequentemente não deixando isso ir embora também.

Tá confuso, né? Eu estava bem com o fato de que não tinha sido pq não era pra ser. Porque não íamos dar certo, pq ele queria uma coisa e eu outra, pq ele não era capaz de mergulhar num relacionamento, pq ele tinha medo e era problemático. Isso em parte me confortava. O fato de ele ter encontrado alguém por quem valeu à pena arriscar me incomodou. Fiquei triste pq eu não tinha valido à pena. Mesmo tendo colocado meu coração na mesa e meus sentimentos como garantia, ele não achou que eu valia à pena o risco. Eu era carne e osso, e não Galatéia de mármore.

E ainda por cima ela é loira e linda: pense no estrago que essa informação pode fazer pela auto-estima de uma pessoa. Se eu não voltar mais aqui, podem estar certos de que descobri que além de tudo ela ainda é inteligente e simpática. E cortei os pulsos.

quarta-feira, junho 1

Gente! Pelamordedeus!! O que diabos é isso?????? Não sou uma truta e sim uma fruta, ou eu escutei mal??????

terça-feira, maio 31

E eu comecei um post daqueles revoltados, em que a gente solta os cachorros, xinga meio mundo, reclama do quanto a vida é ingrata, de como a humanidade é podre e de como (como, ó Alá?!) ele pode ter feito isso com vc. Daí apaguei.

Eu explico.

Isso daqui é uma válvula de escape, eu sei. Quer dizer, tenho todo o direito de despejar minhas agruras no blog, sofrer e chorar e desabafar. Mas dessa vez o sentimento ruim tava me acompanhando fazia tempo demais já. Passei dois dias remoendo e revirando coisa ruim, coisas ditas e coisas que eu queria ter dito e não disse, tendo dores de cabeça e dormindo mal. E isso pra mim já é uma eternidade. Quis deixar o sentimento ruim ir embora. Sabe? Como se eu fechasse os olhos, abrisse os braços e, sem nenhum som, saísse uma fumacinha negra levando tudo de raivinha pra fora. Uma vez me disseram que se vc der uma topada no dedão, tem que deixar a dor ir embora, ao invés de prendê-la dentro de você. Se engolir em seco e cerrar os dentes só vai doer mais, e a dor vai demorar séculos pra passar. Pois bem. Estou tentando.

Mas o post revolta tá salvo nos rascunhos. Se não passar até amanhã, dou outro jeito de liberar a minha raiva. Se é que vcs me entendem...

segunda-feira, maio 16

Aliás, tenho pensado em voltar pro endereço antigo. Acho que já deu tempo suficiente pra esquecerem de mim.
E eu acabei de descobrir que o I-Eu morreu. Pôxa, quantas coisas acontecem quando a gente se ausenta... Alguém (se é que alguém ainda vem aqui) conhece um substituto?
Eu nem sei se ainda consigo escrever. Confesso que comecei e apaguei esse post várias vezes antes desta. Ao longo desses dois meses, pra dizer a verdade. Meu mais novo recorde, como disse a Lulu. Eu podia até dizer que estive sem tempo, que o mestrado me consome ou que nada me acontece que mereça ser relatado. Mas não passariam de desculpas. Esfarrapadas, admito. A verdade é que as coisas perdem o gosto e o viço com o passar do tempo, e isso acontece com os fatos também.

Eu poderia ter contado do camaradinha que me abordou numa festa de formatura e que insistia em se preocupar mais com meu pescoço do que com minha boca, e ainda assim queria que fosse embora com ele. Poderia ter contado do show do Roupa Nova que eu fui e me acabeeeeei de dançar e cantar. Poderia contar dos meus sonhos psicodélicos, como o que eu era uma X-Men com poder de teletransporte (e o Macus Paulo era o Ciclope (!!)) ou o que eu gravava um disco com a Zélia Duncan. Poderia contar do show do Ney em que, entrando todo rebolante no palco dentro de uma calça que só podia ser da Gang, o Ney não achou seu microfone pq o moço-que-cuida-dos-microfones simplesmente esqueceu de colocar no pedestal. E também poderia.. Nem sei mais o que eu poderia. Além de perderem a cor, os fatos às vezes se perdem na memória da gente.

Tempo eu tenho tido de sobra, mas não gosto de dizer isso por aí pq pode dar azar. Paciência e disciplina é que tenho de menos. Não com o blog, especificamente. Ele é só mais uma das coisas da minha vida pras quais eu não consigo me dedicar por estar seguindo uma inércia que eu nem sei quando foi que tomou conta do meu corpo. E da minha cabeça o que é pior. Tenho tido medo do mestrado, medo de não dar tempo, medo de não dar conta e muito medo do que virá depois. Tenho me sentido só às vezes, muito só. Tenho tentado não me colocar em situações que me desagradam, mas não tenho conseguido a maior parte das vezes. E eu me sinto estática, paralisada. A vida tá passando, e eu tenho a nítida impressão de que pra mim ela ainda não começou.

Mas ainda não abandonei o barco.

segunda-feira, março 7

Ok, eu não ando pelos cantos da casa choramingando e cantarolando música de fossa. Juro. Aliás, estou muito bem depois do tombo e da decepção. Incrivelmente, fiquei bem bastante rápido até. Mais rápido do que imaginava. No final acho que foi um desapontamento tão grande e chocante que, simples assim, acabou. Sumiu. O que eu sentia desapareceu. Ficou um carinho meio tímido no fundo, mas ele tá meio intimidado com tamanha indiferença que insiste em ocupar meu coraçãozinho. Não tenho raiva, e nem acho que deveria ou poderia, afinal ele não tem culpa de não gostar de mim e a decisão duvidosa de me dizer mundos e fundos pra no dia seguinte me comunicar que tinha acordado sem vontade de continuar foi resultado só de uma insustentável insegurança e falta de maturidade do rapaz.

Mas confesso que estava apreensiva com relação ao primeiro encontro pós pseudo-ruptura. Fui à colação de grau dele. E me comportei como uma lady, como sempre. Com direito a abraço e desejos sinceros de muito sucesso e tudo do bom e do melhor ao pé do ouvido. Quando o vi senti tristeza. Pelo que poderia ter dado certo e não deu, pelo que poderia ter acontecido e não aconteceu, pelo que poderíamos ter vivido e não vivemos. Por eu não ser mais o que ele queria depois de uma única noite de sono. E por isso sempre acontecer com ele. Eu sei o quanto é triste não se entregar nunca, não se deixar levar, ficar olhando pra trás e pensando em quantas oportunidades foram desperdiçadas por puro medo de se jogar.

Admito que me sinto bem por ter me aberto, mesmo por uma coisa que não deu certo como eu imaginava. Me fez sentir viva, e me disseram dia desses que quem não sofre não vive. Foi uma coisa nova pra mim ficar bolando teorias lindas e cor-de-rosa no chuveiro ao invés de me sabotar criando teorias da conspiração onde nada dava certo. Eu sou mestre nisso. Foi novo e foi bom. É, parece que no final das contas saí ganhando. Melhor pra mim. Triste pra ele.

terça-feira, fevereiro 22

"Ai, diz quantos desastres têm na minha mão.
Diz se é perigoso a gente ser feliz..."

Beatriz - Milton Nascimento

sábado, fevereiro 19

Está na hora de apagar as velhinhas!
Ops, digo, velinhas!!!!

quinta-feira, fevereiro 17

"Eu quero um cara de Vênus que seja sincero. A discografia dos mutantes eu já tenho."

quarta-feira, fevereiro 16

E aí que eu me fudi. De verde e amarelo. Pense numa pessoa que se fudeu. Pois é, fui eu.

Eu tava bem. Ele tava apagado, eu tava bem. Por que diabos ele veio me tentar? Quer dizer, com tanta menina disponível, por que tinha que ser eu? Por que ele não fez logo a estátua de mármore e me deixou aqui, uma reles mortal, cheia de imperfeições mas relativamente feliz, no meu cantinho, tentando esquecer? Não adianta, não posso negar que vislumbrei um futuro floral. Só não me avisaram que era outono.

E aí que como nem tudo o que reluz é ouro, a 4 dias do meu aniversário, quando eu deveria estar feliz talvez, temos uma conversa. Querem as palavras exatas? Abre aspas: "Eu disse que gostei muito de ter ficado com você, de verdade mesmo, mas que aquilo que eu tinha medo que acontecesse aconteceu de novo com outra pessoa, que foi que eu fico num dia com a pessoa, mas não fico com ela de novo. É o meu lado tosco, sacou? Em uma de suas facetas mais toscas". Fecha aspas.

E depois? Depois: abre aspas "Mas assim, eu não tô falando de arrependimento, pq isso não foi, mas pq eu acho que não dá pra ter as duas coisas, e eu te acho muito amiga minha! E agora eu que tô mal, droga! Agora vc pode me chamar de tosco com todas as letras." Fecha aspas.

Daí o que mais eu poderia fazer, né? Me fingi de fina, fiquei sem saber se aquele era o momento apropriado pra escancarar logo a história, acabar com aquela tortura de uma vez por todas, daí cheguei a conclusão de que não, pelo menos eu ainda tinha minha dignidade. Agora, sozinha, ora, que se dane a dignidade: peguei mesmo meu pacote de lenços de papel e vim meditar na minha dor. Tá, eu não precisava meditar a respeito dela pra constatar que doeu. Muito. Pra pensar que eu não precisava estar me sentindo assim. Que eu já tinha criado um calo de rejeição, que era por isso que eu nunca abria a guarda, eu não precisava me lembrar pq é que eu sempre fico na defensiva. E eu tive que abrir outro pacote de lenços de papel.

Agora, além de triste, fiz papel de trouxa. Quer dizer, daqui pra frente todos vão ter pena de mim pq Pigmaleão, em sua busca por Galatéia, enquanto Vênus não dá um empurrãozinho, quer, muito, que Stella e ele continuem sendo amigos, afinal de contas, ninguém tem culpa disso, são essas fatalidades do destino.

A bosta é que essas fatalidades sempre acontecem comigo.

segunda-feira, fevereiro 14

E vamos pela ordem. O evento da conversa surreal no carro aconteceu há meses. Daí veio o cisma. E eu estava lá muito bem resolvida (ok, talvez não muito, mas tentando) em deletar completamente o dito-cujo da minha vida, quando ele, entre uma música e outra, eu de bom humor, ele com umas tequilas na idéia, disse que precisávamos conversar. O mais rápido possível. Eu achei ótimo. Mantendo-me coerente à decisão de não dar mais pano pra manga, eu só queria mesmo conversar, resolver aquela situação chata de uma vez por todas, tirar a raivinha do meu coração. Escolhi um lugar longe do barulho, mas muito bem iluminado e ao lado de um segurança 3x4 capaz de quebrar qualquer clima. O rapaz já se acha Pigmaleão, nem tava afim de dar margem pra especulação.

Não funcionou. Escutei tudo o que queria ouvir, mas em algumas partes eu fui levada a uma dimensão paralela localizada sabe-se Deus onde e não me lembro de pedaços da conversa. Algo sobre confusão de sentimentos, "eu queria você", eu não entendendo nada, "como assim? minha presença te incomodava!", uma mão na minha cintura, "a gente brigou por bobagem", eu ainda não entendendo nada, a outra mão na minha cintura, nessa hora eu já tinha me perdido, "vc lembra aquela vez no carro?", e eu imaginando como eu ia adivinhar, "eu nunca soube o que ia acontecer com a gente", e eu pensando que eu sabia, ele não me dava bola, ora bolas!, "acredite ou não, não fiz nada de propósito", bolas, cedi.

Se Pigmaleão tivesse uma intermediária antes de Galatéia, da qual ele não se lembraria no dia seguinte, esta seria eu. E voltamos à estaca zero.
Tá, e eu hoje tive o que se pode dizer uma tarde que, na ausência de palavra melhor, foi perfeita. Tirando pelo fato de que eu quase morri de fome, mas tudo bem, meninas educadas só se matam de comer na presença dos amigos mais íntimos ou na segurança de seu lar, nunca num encontro a dois, por mais que não se trate de um encontro propriamente dito. É pra manter as aparências.

Pois bem, existe esse rapaz. Uma pessoa encantadora, apaixonante, gentil e divertida. Charmosa, eu diria. Não, não temos nada, apenas bons amigos. Isso por um lado me intriga, mas eu tive um passeio tão agradável que prefiro não ficar elocubrando e complicando demais.

Primeiro, cinema. Ele escolheu o filme, depois de praticamente travarmos uma batalha campal pelo telefone. Acordo feito: eu escolho o cinema, vc escolhe o filme. Ótima escolha, Sobre café e cigarros, uma coleção de 11 curtas divertidíssimos, que me surpreenderam pq eu não tinha idéia do que esperar. Depois, um dia bonito, passeio na orla. Aí vc pergunta: ué, Stella, vc não vive no planalto central, aquele lugar localizado a pelo menos 2000km da praia mais próxima? Pois sim, caro colega, era a orla do lago. O Paranoá. Sim, o artificial, deixa a gente em paz com nosso lago.

Enfim, era fim de tarde, tinha pôr do sol, depois tinham as estrelas, muitas estrelas, e as constelações que ficamos inventando por não sabermos o nome das verdadeiras. Foi tão... sei lá... bom! E sem segundas intenções, sem nada demais, sem beijo na boca, só vááárias horas de papo sem compromisso, na beira do lago, o barulho da água, piadinhas infames e as estrelas. Eu queria mais gente assim na minha vida, descomplicada e divertida, que não vê pêlo em todo ovo que surge no caminho, nem fica tentando dificultar tudo o que é simples.

quarta-feira, fevereiro 9

Tá, eu sei que não é da minha conta. Mas, pô, até a Sandy colocou silicone!! Onde esse mundo vai parar?
Não satisfeita, eu agora saio do chuveiro cantando e dançando Prince pelo quarto afora.

You don't have to be beautiful to turn me on
I just need your body, baby, from dusk till dawn
You don't need experience to turn me on
You just leave it all up to me, I'm gonna show you what it's all about

You don't have to be rich to be my girl
You don't have to be cool to rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your . . . . . kiss


Definitivamente, deve ter alguma coisa errada comigo.
E ele está em "Adoramos mulheres inteligentes". E eu estou em "Odeio homens sem atitude". Algo me diz que não vamos nos dar bem...

terça-feira, fevereiro 8

Então tá. Vejam se vcs entendem, pq eu não sei bem se eu entendi direito. Era domingo, cerca de meia-noite, chovia muito e eu estava indo deixar o moço em seu lar. Eu sei que parece mentira, mas não é. Daí, no caminho, diálogo:
Ele: Pôxa, me deu vontade de fazer uma coisa..
Eu: Coisa? Que coisa?
Ele: Não sei.
Eu: Puxa, é uma pena, a essa hora talv...
Ele: Tá, tudo bem. Acho que era tomar sorvete.
Eu: Como?
Ele: É, acho que me deu vontade de tomar sorvete.
Eu: Tsc.. Sorveteria é o que eu acho mais difícil de a gente encontrar aberto...
Ele: É..
Eu: Se vc quiser nós podemos passar no supermercado e..
Ele: Não, tudo bem, fica pra outro dia.
Eu: ...
Ele: ...
Chegamos em nosso destino. Com o carro estacionado, mais uma hora de conversa fiada até a chuva diminuir. Boa noite. Boa noite. Tchau.

Em tempo: Por que será que contando e relendo agora eu tô me sentindo meio tosca?
E eu estou amando o carnaval. Apesar de escutar o tempo todo sobre o alvorecer esplendoroso que consta nos sambas-enredos (o plural parece estranho mas eu olhei no dicionário), eu gosto desse negócio da cidade vazia e do silêncio nas ruas. Afinal, quem curte mesmo o alvoroço do carnaval não fica em Brasília. E quem tá por aqui passa o dia no clube e as noites assistindo vídeos em casa. Mais ou menos como eu.

Mas eu tô gostando mesmo deste carnaval por causa das minhas amigas de infância. Impressionante como o tempo passa e, apesar das idas e vindas e dos encontros e desencontros da vida, elas estão sempre lá. E cada encontro é como se tempo nenhum tivesse passado. O que eu acho curioso mesmo é que sempre saio das nossas reuniões me sentindo mais leve e feliz. Eu poderia me sentir velha, ter saudades da infância que passou, da inocência perdida. Mas não é assim. Nós crescemos, e ainda temos muito o que acrescentar à vida uma da outra. Além disso, elas são o meu maior elo com as brincadeiras de criança, a tia da 1ª série e o caso de amor e ódio pela menina de cabelo liso e sensação entre os meninos.

Esta sexta tivemos uma noite das meninas. De pijamas, viramos a noite ouvindo fitas antigas, relembrando as bobagens que dizíamos, lamentando o tempo perdido. Comemos chocolate e falamos das vidas amorosas (ou pseudo-amorosas no meu caso, mas enfim..), das depressões e de problemas médicos e espirituais. E eu comecei com essa conversa pq elas me disseram coisas a respeito de mim mesma que ninguém havia me dito antes. Todo mundo fica repetindo que eu não posso ser assim ou assado, mas até então ninguém tinha sido lógico ou convincente o suficiente pra me dizer algo que me fizesse de fato ficar pensando e, racionalmente, chegar a conclusão de que é possível mudar.

Pois elas me disseram que nem sempre as coisas são ruins como a gente quer ver quando coloca certos óculos pra enxergar a vida. E também que sofrer faz parte de estar viva. Mas não é necessário.

E eu decidi, na minha listinha de objetivos pra 2005, viver. E deixar viver. Vamos ver no que dá.

quinta-feira, fevereiro 3

Pois então. Eu estava bem resolvida. Fiquei triste. Daí fiquei com raiva. Muita raiva. Daí eu fiquei triste por estar com raiva, e morrendo de raiva por estar triste. Tudo bem, esse não é exatamente o panorama de uma pessoa bem resolvida.

Mas eu estava. Parei na tristeza leve. E foi quando eu me tornei bem resolvida. Transformei Vou tirar você do dicionário em meu mantra pessoal e a voz da Zélia não saía da minha cabeça.

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocar-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
(...)

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido


E a Lulu tinha me dito que eu tinha que ser drástica. Daí teve a briga, que nunca foi uma briga propriamente, nunca foi um desentendimento cara a cara, uma sucessão de acontecimentos, eu entendendo coisas, ele entendendo outras, nós não nos entendendo. Mas pra mim representou a gota que transborda nesse lance martirizante. Tava ganhando uma úlcera por quem não me dava valor, como se eu já não tivesse com o que me preocupar. E fui drástica. Apaguei o telefone dele do celular. Tirei o nome dele da lista de amigos do Orkut. Tirei o e-mail dele da lista de contatos. Evitei encontros prolongados. Evitei contato visual. Evitei.

terça-feira, fevereiro 1

Momento: confissão relâmpago: E eu ganhei o cd Acústico do Roupa Nova de presente de Natal. Daí que eu a-do-ro Roupa Nova. E pior: eu seeempre canto bem alto

Eu te amo e vou gritaaar pra todo mundo ouvir:
Ter você é meu desejo de viveeeeer.
Sou menino e teu amor é o que me faz crescer.
E me entrego corpo e alma pra vocêeeeeeeee!!
Eu tô tonta de tanta coisa esquisita e boa acontecendo, mas não sei se eu devo escrever sobre isso, não quero ter mais problemas, e eu ainda tenho medo, mas será que esse medo vai durar pra sempre? Deliciosamente confusa...
Eu: Então tá, boa viagem.
Ele: Você quer alguma coisa do Rio?
Eu: Ué, por quê? Você vai me trazer alguma coisa do Rio?
Ele: Se você pedir eu trago.
Eu: Não precisa, imagine, não vou te dar esse trabalho.
Ele: Trabalho nenhum. Já sei, vou te trazer uma conchinha.

Eu: Tô esperando minha conchinha, hein?
Ele: Claro, eu trouxe!
Eu: Puxa, sério? Não achei que...
Ele: A gente nem foi à praia direito, tive que procurar numas pedras, mas acho que você vai gostar.

E foi assim que eu ganhei uma pequenina conchinha lilás e branca, como uma jujuba, num gesto de lembrança e consideração que eu definitivamente não esperava. É, eu sou mulherzinha e achei fofo.

segunda-feira, janeiro 31

Cansada demais de fracassar em quase todas as tentativas de resolver meus problemas e neuroses com relação à minha vida acadêmica, eu acabei me inclinando naturalmente a colocar chifres na cabeça dos cavalos da minha vida pessoal, que tava mesmo tomando poeira num cantinho da minha existência.

Então hoje eu recebo um e-mail que formou a equação clara na minha cabeça: eu = pessoa com problemas. Tá, eu sei que o mundo tá uma zona, o lance do Tsunami e a reeleição do Bush. Mas, pôxa, eu também tenho meus problemas psicológicos e minhas neuroses e fico triste por bobagem. Eu sou fútil e superficial. Me deixa.

Enfim, meu dilema pessoal mais recente: um aniversário. Uma amiga de infância, de quem eu gosto muitíssimo, está fazendo aniversário, como graças a Deus tanta gente que eu gosto também faz. E daí que ela resolveu fazer uma festinha. Problema nenhum com isso, certo? Bom, mais ou menos. Ano passado houve uma festa dessas. O convite vinha bem especificado: traga seus companheiros. Eu praticamente entrei em pânico! E quem não tem companheiros? Eu já conseguia ter uma nítida visão do futuro, onde casais conversam sobre suas intimidades, como ele gosta de atrasar enquanto ela espera, o tanto que o pudim de leite da mãe dela é gostoso, enquanto a Stella se recolhe à sua insignificância solteira em algum canto esquecido, provavelmente perto da mesa das crianças, que eu nem sei se vai existir.

Pois então. No ano passado eu consegui arrastar um amigo, comprometido porém com namorada viajando, que pelo visto não se divertiu mto, mas foi sabendo que estava fazendo um imenso favor a mim. Esse ano não tem amigo. Resolvi, bravamente como um mártir, ir mesmo assim. Sozinha. E sentar na mesa das crianças. O chato de você viver em um mundo onde todos os seres humanos são comprometidos não é se sentir sozinha. Eu sinceramente já passei dessa fase e, apesar de às vezes ter umas recaídas de solidão, passo a maior parte do tempo bastante tranquila com minha condição, ou atarefada demais com outras coisas pra pensar nessas besteiras.

A questão é se sentir um peixe fora d'água. Outro dia passei por um desconforto que espero evitar pra nunca mais: almoçar com dois casais. Eles são ótimos, mas ser o número ímpar é um karma que não quero mais carregar pra mim não. Primeiro que a mesa era pra 4 pessoas. Quem sentou na cadeira puxada da mesa ao lado e colocada na cabeceira da mesa, praticamente atrapalhando a passagem dos garçons? Euzinha, lógico. Além de estar querendo sumir o mais rápido possível, me vi em determinado momento observando duas conversas paralelas das quais eu simplesmente não participava. Cada qual com sua cara metade. E eu mexendo no limão dentro do copo de Coca Cola.

Essa sensação horrível de estar acompanhando e atrapalhando é que me incomoda. Eu sei que, se por um lado existem casais que simplesmente não conseguem se comportar em grupos de amigos como.. bem... amigos!, existem também aqueles que se dão conta da sua existência antes que seja tarde demais. Só não tô mto afim de correr o risco.

Em tempo: Fui à festa, foi ótimo, me diverti horrores e ainda paguei minha língua com um casal (uma amiga de infância e o namorado legal dela) que não só são pessoas agradabilíssimas como também sabem se comportar de modo a não deixar os outros sem jeito. Afinal de contas, eles tem todas as outras horas da vida pra namorar, não precisam ficar por aí contando dinheiro na frente de pobre.

sábado, janeiro 29


Pois é...

segunda-feira, janeiro 17

Just hold me and tell me
You'll be here to love me today

Be here to love me - Norah Jones

sábado, janeiro 15

E hoje não foi, mesmo, um dia bom.

quarta-feira, janeiro 12

E a vida segue seu curso. Com relâmpagos e trovoadas, mas eu me protejo da chuva debaixo de um lindo guarda-sol colorido: ele é útil e eu sei disso, mas às vezes acho que seria mais apropriado talvez pegar o guarda-chuva. Daí eu me lembro que o guarda-sol colorido me protege me expondo.

E isso absolutamente não faz o menor sentido.