terça-feira, fevereiro 22

"Ai, diz quantos desastres têm na minha mão.
Diz se é perigoso a gente ser feliz..."

Beatriz - Milton Nascimento

sábado, fevereiro 19

Está na hora de apagar as velhinhas!
Ops, digo, velinhas!!!!

quinta-feira, fevereiro 17

"Eu quero um cara de Vênus que seja sincero. A discografia dos mutantes eu já tenho."

quarta-feira, fevereiro 16

E aí que eu me fudi. De verde e amarelo. Pense numa pessoa que se fudeu. Pois é, fui eu.

Eu tava bem. Ele tava apagado, eu tava bem. Por que diabos ele veio me tentar? Quer dizer, com tanta menina disponível, por que tinha que ser eu? Por que ele não fez logo a estátua de mármore e me deixou aqui, uma reles mortal, cheia de imperfeições mas relativamente feliz, no meu cantinho, tentando esquecer? Não adianta, não posso negar que vislumbrei um futuro floral. Só não me avisaram que era outono.

E aí que como nem tudo o que reluz é ouro, a 4 dias do meu aniversário, quando eu deveria estar feliz talvez, temos uma conversa. Querem as palavras exatas? Abre aspas: "Eu disse que gostei muito de ter ficado com você, de verdade mesmo, mas que aquilo que eu tinha medo que acontecesse aconteceu de novo com outra pessoa, que foi que eu fico num dia com a pessoa, mas não fico com ela de novo. É o meu lado tosco, sacou? Em uma de suas facetas mais toscas". Fecha aspas.

E depois? Depois: abre aspas "Mas assim, eu não tô falando de arrependimento, pq isso não foi, mas pq eu acho que não dá pra ter as duas coisas, e eu te acho muito amiga minha! E agora eu que tô mal, droga! Agora vc pode me chamar de tosco com todas as letras." Fecha aspas.

Daí o que mais eu poderia fazer, né? Me fingi de fina, fiquei sem saber se aquele era o momento apropriado pra escancarar logo a história, acabar com aquela tortura de uma vez por todas, daí cheguei a conclusão de que não, pelo menos eu ainda tinha minha dignidade. Agora, sozinha, ora, que se dane a dignidade: peguei mesmo meu pacote de lenços de papel e vim meditar na minha dor. Tá, eu não precisava meditar a respeito dela pra constatar que doeu. Muito. Pra pensar que eu não precisava estar me sentindo assim. Que eu já tinha criado um calo de rejeição, que era por isso que eu nunca abria a guarda, eu não precisava me lembrar pq é que eu sempre fico na defensiva. E eu tive que abrir outro pacote de lenços de papel.

Agora, além de triste, fiz papel de trouxa. Quer dizer, daqui pra frente todos vão ter pena de mim pq Pigmaleão, em sua busca por Galatéia, enquanto Vênus não dá um empurrãozinho, quer, muito, que Stella e ele continuem sendo amigos, afinal de contas, ninguém tem culpa disso, são essas fatalidades do destino.

A bosta é que essas fatalidades sempre acontecem comigo.

segunda-feira, fevereiro 14

E vamos pela ordem. O evento da conversa surreal no carro aconteceu há meses. Daí veio o cisma. E eu estava lá muito bem resolvida (ok, talvez não muito, mas tentando) em deletar completamente o dito-cujo da minha vida, quando ele, entre uma música e outra, eu de bom humor, ele com umas tequilas na idéia, disse que precisávamos conversar. O mais rápido possível. Eu achei ótimo. Mantendo-me coerente à decisão de não dar mais pano pra manga, eu só queria mesmo conversar, resolver aquela situação chata de uma vez por todas, tirar a raivinha do meu coração. Escolhi um lugar longe do barulho, mas muito bem iluminado e ao lado de um segurança 3x4 capaz de quebrar qualquer clima. O rapaz já se acha Pigmaleão, nem tava afim de dar margem pra especulação.

Não funcionou. Escutei tudo o que queria ouvir, mas em algumas partes eu fui levada a uma dimensão paralela localizada sabe-se Deus onde e não me lembro de pedaços da conversa. Algo sobre confusão de sentimentos, "eu queria você", eu não entendendo nada, "como assim? minha presença te incomodava!", uma mão na minha cintura, "a gente brigou por bobagem", eu ainda não entendendo nada, a outra mão na minha cintura, nessa hora eu já tinha me perdido, "vc lembra aquela vez no carro?", e eu imaginando como eu ia adivinhar, "eu nunca soube o que ia acontecer com a gente", e eu pensando que eu sabia, ele não me dava bola, ora bolas!, "acredite ou não, não fiz nada de propósito", bolas, cedi.

Se Pigmaleão tivesse uma intermediária antes de Galatéia, da qual ele não se lembraria no dia seguinte, esta seria eu. E voltamos à estaca zero.
Tá, e eu hoje tive o que se pode dizer uma tarde que, na ausência de palavra melhor, foi perfeita. Tirando pelo fato de que eu quase morri de fome, mas tudo bem, meninas educadas só se matam de comer na presença dos amigos mais íntimos ou na segurança de seu lar, nunca num encontro a dois, por mais que não se trate de um encontro propriamente dito. É pra manter as aparências.

Pois bem, existe esse rapaz. Uma pessoa encantadora, apaixonante, gentil e divertida. Charmosa, eu diria. Não, não temos nada, apenas bons amigos. Isso por um lado me intriga, mas eu tive um passeio tão agradável que prefiro não ficar elocubrando e complicando demais.

Primeiro, cinema. Ele escolheu o filme, depois de praticamente travarmos uma batalha campal pelo telefone. Acordo feito: eu escolho o cinema, vc escolhe o filme. Ótima escolha, Sobre café e cigarros, uma coleção de 11 curtas divertidíssimos, que me surpreenderam pq eu não tinha idéia do que esperar. Depois, um dia bonito, passeio na orla. Aí vc pergunta: ué, Stella, vc não vive no planalto central, aquele lugar localizado a pelo menos 2000km da praia mais próxima? Pois sim, caro colega, era a orla do lago. O Paranoá. Sim, o artificial, deixa a gente em paz com nosso lago.

Enfim, era fim de tarde, tinha pôr do sol, depois tinham as estrelas, muitas estrelas, e as constelações que ficamos inventando por não sabermos o nome das verdadeiras. Foi tão... sei lá... bom! E sem segundas intenções, sem nada demais, sem beijo na boca, só vááárias horas de papo sem compromisso, na beira do lago, o barulho da água, piadinhas infames e as estrelas. Eu queria mais gente assim na minha vida, descomplicada e divertida, que não vê pêlo em todo ovo que surge no caminho, nem fica tentando dificultar tudo o que é simples.

quarta-feira, fevereiro 9

Tá, eu sei que não é da minha conta. Mas, pô, até a Sandy colocou silicone!! Onde esse mundo vai parar?
Não satisfeita, eu agora saio do chuveiro cantando e dançando Prince pelo quarto afora.

You don't have to be beautiful to turn me on
I just need your body, baby, from dusk till dawn
You don't need experience to turn me on
You just leave it all up to me, I'm gonna show you what it's all about

You don't have to be rich to be my girl
You don't have to be cool to rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your . . . . . kiss


Definitivamente, deve ter alguma coisa errada comigo.
E ele está em "Adoramos mulheres inteligentes". E eu estou em "Odeio homens sem atitude". Algo me diz que não vamos nos dar bem...

terça-feira, fevereiro 8

Então tá. Vejam se vcs entendem, pq eu não sei bem se eu entendi direito. Era domingo, cerca de meia-noite, chovia muito e eu estava indo deixar o moço em seu lar. Eu sei que parece mentira, mas não é. Daí, no caminho, diálogo:
Ele: Pôxa, me deu vontade de fazer uma coisa..
Eu: Coisa? Que coisa?
Ele: Não sei.
Eu: Puxa, é uma pena, a essa hora talv...
Ele: Tá, tudo bem. Acho que era tomar sorvete.
Eu: Como?
Ele: É, acho que me deu vontade de tomar sorvete.
Eu: Tsc.. Sorveteria é o que eu acho mais difícil de a gente encontrar aberto...
Ele: É..
Eu: Se vc quiser nós podemos passar no supermercado e..
Ele: Não, tudo bem, fica pra outro dia.
Eu: ...
Ele: ...
Chegamos em nosso destino. Com o carro estacionado, mais uma hora de conversa fiada até a chuva diminuir. Boa noite. Boa noite. Tchau.

Em tempo: Por que será que contando e relendo agora eu tô me sentindo meio tosca?
E eu estou amando o carnaval. Apesar de escutar o tempo todo sobre o alvorecer esplendoroso que consta nos sambas-enredos (o plural parece estranho mas eu olhei no dicionário), eu gosto desse negócio da cidade vazia e do silêncio nas ruas. Afinal, quem curte mesmo o alvoroço do carnaval não fica em Brasília. E quem tá por aqui passa o dia no clube e as noites assistindo vídeos em casa. Mais ou menos como eu.

Mas eu tô gostando mesmo deste carnaval por causa das minhas amigas de infância. Impressionante como o tempo passa e, apesar das idas e vindas e dos encontros e desencontros da vida, elas estão sempre lá. E cada encontro é como se tempo nenhum tivesse passado. O que eu acho curioso mesmo é que sempre saio das nossas reuniões me sentindo mais leve e feliz. Eu poderia me sentir velha, ter saudades da infância que passou, da inocência perdida. Mas não é assim. Nós crescemos, e ainda temos muito o que acrescentar à vida uma da outra. Além disso, elas são o meu maior elo com as brincadeiras de criança, a tia da 1ª série e o caso de amor e ódio pela menina de cabelo liso e sensação entre os meninos.

Esta sexta tivemos uma noite das meninas. De pijamas, viramos a noite ouvindo fitas antigas, relembrando as bobagens que dizíamos, lamentando o tempo perdido. Comemos chocolate e falamos das vidas amorosas (ou pseudo-amorosas no meu caso, mas enfim..), das depressões e de problemas médicos e espirituais. E eu comecei com essa conversa pq elas me disseram coisas a respeito de mim mesma que ninguém havia me dito antes. Todo mundo fica repetindo que eu não posso ser assim ou assado, mas até então ninguém tinha sido lógico ou convincente o suficiente pra me dizer algo que me fizesse de fato ficar pensando e, racionalmente, chegar a conclusão de que é possível mudar.

Pois elas me disseram que nem sempre as coisas são ruins como a gente quer ver quando coloca certos óculos pra enxergar a vida. E também que sofrer faz parte de estar viva. Mas não é necessário.

E eu decidi, na minha listinha de objetivos pra 2005, viver. E deixar viver. Vamos ver no que dá.

quinta-feira, fevereiro 3

Pois então. Eu estava bem resolvida. Fiquei triste. Daí fiquei com raiva. Muita raiva. Daí eu fiquei triste por estar com raiva, e morrendo de raiva por estar triste. Tudo bem, esse não é exatamente o panorama de uma pessoa bem resolvida.

Mas eu estava. Parei na tristeza leve. E foi quando eu me tornei bem resolvida. Transformei Vou tirar você do dicionário em meu mantra pessoal e a voz da Zélia não saía da minha cabeça.

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocar-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
(...)

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido


E a Lulu tinha me dito que eu tinha que ser drástica. Daí teve a briga, que nunca foi uma briga propriamente, nunca foi um desentendimento cara a cara, uma sucessão de acontecimentos, eu entendendo coisas, ele entendendo outras, nós não nos entendendo. Mas pra mim representou a gota que transborda nesse lance martirizante. Tava ganhando uma úlcera por quem não me dava valor, como se eu já não tivesse com o que me preocupar. E fui drástica. Apaguei o telefone dele do celular. Tirei o nome dele da lista de amigos do Orkut. Tirei o e-mail dele da lista de contatos. Evitei encontros prolongados. Evitei contato visual. Evitei.

terça-feira, fevereiro 1

Momento: confissão relâmpago: E eu ganhei o cd Acústico do Roupa Nova de presente de Natal. Daí que eu a-do-ro Roupa Nova. E pior: eu seeempre canto bem alto

Eu te amo e vou gritaaar pra todo mundo ouvir:
Ter você é meu desejo de viveeeeer.
Sou menino e teu amor é o que me faz crescer.
E me entrego corpo e alma pra vocêeeeeeeee!!
Eu tô tonta de tanta coisa esquisita e boa acontecendo, mas não sei se eu devo escrever sobre isso, não quero ter mais problemas, e eu ainda tenho medo, mas será que esse medo vai durar pra sempre? Deliciosamente confusa...
Eu: Então tá, boa viagem.
Ele: Você quer alguma coisa do Rio?
Eu: Ué, por quê? Você vai me trazer alguma coisa do Rio?
Ele: Se você pedir eu trago.
Eu: Não precisa, imagine, não vou te dar esse trabalho.
Ele: Trabalho nenhum. Já sei, vou te trazer uma conchinha.

Eu: Tô esperando minha conchinha, hein?
Ele: Claro, eu trouxe!
Eu: Puxa, sério? Não achei que...
Ele: A gente nem foi à praia direito, tive que procurar numas pedras, mas acho que você vai gostar.

E foi assim que eu ganhei uma pequenina conchinha lilás e branca, como uma jujuba, num gesto de lembrança e consideração que eu definitivamente não esperava. É, eu sou mulherzinha e achei fofo.