terça-feira, fevereiro 8

E eu estou amando o carnaval. Apesar de escutar o tempo todo sobre o alvorecer esplendoroso que consta nos sambas-enredos (o plural parece estranho mas eu olhei no dicionário), eu gosto desse negócio da cidade vazia e do silêncio nas ruas. Afinal, quem curte mesmo o alvoroço do carnaval não fica em Brasília. E quem tá por aqui passa o dia no clube e as noites assistindo vídeos em casa. Mais ou menos como eu.

Mas eu tô gostando mesmo deste carnaval por causa das minhas amigas de infância. Impressionante como o tempo passa e, apesar das idas e vindas e dos encontros e desencontros da vida, elas estão sempre lá. E cada encontro é como se tempo nenhum tivesse passado. O que eu acho curioso mesmo é que sempre saio das nossas reuniões me sentindo mais leve e feliz. Eu poderia me sentir velha, ter saudades da infância que passou, da inocência perdida. Mas não é assim. Nós crescemos, e ainda temos muito o que acrescentar à vida uma da outra. Além disso, elas são o meu maior elo com as brincadeiras de criança, a tia da 1ª série e o caso de amor e ódio pela menina de cabelo liso e sensação entre os meninos.

Esta sexta tivemos uma noite das meninas. De pijamas, viramos a noite ouvindo fitas antigas, relembrando as bobagens que dizíamos, lamentando o tempo perdido. Comemos chocolate e falamos das vidas amorosas (ou pseudo-amorosas no meu caso, mas enfim..), das depressões e de problemas médicos e espirituais. E eu comecei com essa conversa pq elas me disseram coisas a respeito de mim mesma que ninguém havia me dito antes. Todo mundo fica repetindo que eu não posso ser assim ou assado, mas até então ninguém tinha sido lógico ou convincente o suficiente pra me dizer algo que me fizesse de fato ficar pensando e, racionalmente, chegar a conclusão de que é possível mudar.

Pois elas me disseram que nem sempre as coisas são ruins como a gente quer ver quando coloca certos óculos pra enxergar a vida. E também que sofrer faz parte de estar viva. Mas não é necessário.

E eu decidi, na minha listinha de objetivos pra 2005, viver. E deixar viver. Vamos ver no que dá.

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