quarta-feira, fevereiro 16

E aí que eu me fudi. De verde e amarelo. Pense numa pessoa que se fudeu. Pois é, fui eu.

Eu tava bem. Ele tava apagado, eu tava bem. Por que diabos ele veio me tentar? Quer dizer, com tanta menina disponível, por que tinha que ser eu? Por que ele não fez logo a estátua de mármore e me deixou aqui, uma reles mortal, cheia de imperfeições mas relativamente feliz, no meu cantinho, tentando esquecer? Não adianta, não posso negar que vislumbrei um futuro floral. Só não me avisaram que era outono.

E aí que como nem tudo o que reluz é ouro, a 4 dias do meu aniversário, quando eu deveria estar feliz talvez, temos uma conversa. Querem as palavras exatas? Abre aspas: "Eu disse que gostei muito de ter ficado com você, de verdade mesmo, mas que aquilo que eu tinha medo que acontecesse aconteceu de novo com outra pessoa, que foi que eu fico num dia com a pessoa, mas não fico com ela de novo. É o meu lado tosco, sacou? Em uma de suas facetas mais toscas". Fecha aspas.

E depois? Depois: abre aspas "Mas assim, eu não tô falando de arrependimento, pq isso não foi, mas pq eu acho que não dá pra ter as duas coisas, e eu te acho muito amiga minha! E agora eu que tô mal, droga! Agora vc pode me chamar de tosco com todas as letras." Fecha aspas.

Daí o que mais eu poderia fazer, né? Me fingi de fina, fiquei sem saber se aquele era o momento apropriado pra escancarar logo a história, acabar com aquela tortura de uma vez por todas, daí cheguei a conclusão de que não, pelo menos eu ainda tinha minha dignidade. Agora, sozinha, ora, que se dane a dignidade: peguei mesmo meu pacote de lenços de papel e vim meditar na minha dor. Tá, eu não precisava meditar a respeito dela pra constatar que doeu. Muito. Pra pensar que eu não precisava estar me sentindo assim. Que eu já tinha criado um calo de rejeição, que era por isso que eu nunca abria a guarda, eu não precisava me lembrar pq é que eu sempre fico na defensiva. E eu tive que abrir outro pacote de lenços de papel.

Agora, além de triste, fiz papel de trouxa. Quer dizer, daqui pra frente todos vão ter pena de mim pq Pigmaleão, em sua busca por Galatéia, enquanto Vênus não dá um empurrãozinho, quer, muito, que Stella e ele continuem sendo amigos, afinal de contas, ninguém tem culpa disso, são essas fatalidades do destino.

A bosta é que essas fatalidades sempre acontecem comigo.

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