segunda-feira, fevereiro 14

E vamos pela ordem. O evento da conversa surreal no carro aconteceu há meses. Daí veio o cisma. E eu estava lá muito bem resolvida (ok, talvez não muito, mas tentando) em deletar completamente o dito-cujo da minha vida, quando ele, entre uma música e outra, eu de bom humor, ele com umas tequilas na idéia, disse que precisávamos conversar. O mais rápido possível. Eu achei ótimo. Mantendo-me coerente à decisão de não dar mais pano pra manga, eu só queria mesmo conversar, resolver aquela situação chata de uma vez por todas, tirar a raivinha do meu coração. Escolhi um lugar longe do barulho, mas muito bem iluminado e ao lado de um segurança 3x4 capaz de quebrar qualquer clima. O rapaz já se acha Pigmaleão, nem tava afim de dar margem pra especulação.

Não funcionou. Escutei tudo o que queria ouvir, mas em algumas partes eu fui levada a uma dimensão paralela localizada sabe-se Deus onde e não me lembro de pedaços da conversa. Algo sobre confusão de sentimentos, "eu queria você", eu não entendendo nada, "como assim? minha presença te incomodava!", uma mão na minha cintura, "a gente brigou por bobagem", eu ainda não entendendo nada, a outra mão na minha cintura, nessa hora eu já tinha me perdido, "vc lembra aquela vez no carro?", e eu imaginando como eu ia adivinhar, "eu nunca soube o que ia acontecer com a gente", e eu pensando que eu sabia, ele não me dava bola, ora bolas!, "acredite ou não, não fiz nada de propósito", bolas, cedi.

Se Pigmaleão tivesse uma intermediária antes de Galatéia, da qual ele não se lembraria no dia seguinte, esta seria eu. E voltamos à estaca zero.

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