quinta-feira, fevereiro 3

Pois então. Eu estava bem resolvida. Fiquei triste. Daí fiquei com raiva. Muita raiva. Daí eu fiquei triste por estar com raiva, e morrendo de raiva por estar triste. Tudo bem, esse não é exatamente o panorama de uma pessoa bem resolvida.

Mas eu estava. Parei na tristeza leve. E foi quando eu me tornei bem resolvida. Transformei Vou tirar você do dicionário em meu mantra pessoal e a voz da Zélia não saía da minha cabeça.

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocar-lá em miúdos
Mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
(...)

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança
Eu vou tirar, vou limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
Eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não tido


E a Lulu tinha me dito que eu tinha que ser drástica. Daí teve a briga, que nunca foi uma briga propriamente, nunca foi um desentendimento cara a cara, uma sucessão de acontecimentos, eu entendendo coisas, ele entendendo outras, nós não nos entendendo. Mas pra mim representou a gota que transborda nesse lance martirizante. Tava ganhando uma úlcera por quem não me dava valor, como se eu já não tivesse com o que me preocupar. E fui drástica. Apaguei o telefone dele do celular. Tirei o nome dele da lista de amigos do Orkut. Tirei o e-mail dele da lista de contatos. Evitei encontros prolongados. Evitei contato visual. Evitei.

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