terça-feira, maio 31

E eu comecei um post daqueles revoltados, em que a gente solta os cachorros, xinga meio mundo, reclama do quanto a vida é ingrata, de como a humanidade é podre e de como (como, ó Alá?!) ele pode ter feito isso com vc. Daí apaguei.

Eu explico.

Isso daqui é uma válvula de escape, eu sei. Quer dizer, tenho todo o direito de despejar minhas agruras no blog, sofrer e chorar e desabafar. Mas dessa vez o sentimento ruim tava me acompanhando fazia tempo demais já. Passei dois dias remoendo e revirando coisa ruim, coisas ditas e coisas que eu queria ter dito e não disse, tendo dores de cabeça e dormindo mal. E isso pra mim já é uma eternidade. Quis deixar o sentimento ruim ir embora. Sabe? Como se eu fechasse os olhos, abrisse os braços e, sem nenhum som, saísse uma fumacinha negra levando tudo de raivinha pra fora. Uma vez me disseram que se vc der uma topada no dedão, tem que deixar a dor ir embora, ao invés de prendê-la dentro de você. Se engolir em seco e cerrar os dentes só vai doer mais, e a dor vai demorar séculos pra passar. Pois bem. Estou tentando.

Mas o post revolta tá salvo nos rascunhos. Se não passar até amanhã, dou outro jeito de liberar a minha raiva. Se é que vcs me entendem...

segunda-feira, maio 16

Aliás, tenho pensado em voltar pro endereço antigo. Acho que já deu tempo suficiente pra esquecerem de mim.
E eu acabei de descobrir que o I-Eu morreu. Pôxa, quantas coisas acontecem quando a gente se ausenta... Alguém (se é que alguém ainda vem aqui) conhece um substituto?
Eu nem sei se ainda consigo escrever. Confesso que comecei e apaguei esse post várias vezes antes desta. Ao longo desses dois meses, pra dizer a verdade. Meu mais novo recorde, como disse a Lulu. Eu podia até dizer que estive sem tempo, que o mestrado me consome ou que nada me acontece que mereça ser relatado. Mas não passariam de desculpas. Esfarrapadas, admito. A verdade é que as coisas perdem o gosto e o viço com o passar do tempo, e isso acontece com os fatos também.

Eu poderia ter contado do camaradinha que me abordou numa festa de formatura e que insistia em se preocupar mais com meu pescoço do que com minha boca, e ainda assim queria que fosse embora com ele. Poderia ter contado do show do Roupa Nova que eu fui e me acabeeeeei de dançar e cantar. Poderia contar dos meus sonhos psicodélicos, como o que eu era uma X-Men com poder de teletransporte (e o Macus Paulo era o Ciclope (!!)) ou o que eu gravava um disco com a Zélia Duncan. Poderia contar do show do Ney em que, entrando todo rebolante no palco dentro de uma calça que só podia ser da Gang, o Ney não achou seu microfone pq o moço-que-cuida-dos-microfones simplesmente esqueceu de colocar no pedestal. E também poderia.. Nem sei mais o que eu poderia. Além de perderem a cor, os fatos às vezes se perdem na memória da gente.

Tempo eu tenho tido de sobra, mas não gosto de dizer isso por aí pq pode dar azar. Paciência e disciplina é que tenho de menos. Não com o blog, especificamente. Ele é só mais uma das coisas da minha vida pras quais eu não consigo me dedicar por estar seguindo uma inércia que eu nem sei quando foi que tomou conta do meu corpo. E da minha cabeça o que é pior. Tenho tido medo do mestrado, medo de não dar tempo, medo de não dar conta e muito medo do que virá depois. Tenho me sentido só às vezes, muito só. Tenho tentado não me colocar em situações que me desagradam, mas não tenho conseguido a maior parte das vezes. E eu me sinto estática, paralisada. A vida tá passando, e eu tenho a nítida impressão de que pra mim ela ainda não começou.

Mas ainda não abandonei o barco.