quarta-feira, junho 29

Pois bem, eu persegui o Giba.

Dia desses teve jogo de vôlei pela Liga Mundial aqui em Brasília. Contra Portugal. Pois é. Enfrentei fila, comprei ingresso, acordei cedo no domingo, coloquei minha camisa amarela e fui. Pra quem tá achando que eu tenho uma daquelas camisetas do Banco do Brasil, enganou-se. Naquele domingo eu implorava por uma daquelas. Sim, pq é a sua única chance de ver o jogo do melhor ângulo e ainda aparecer na Globo, já que, ao contrário do que eu pensava assistindo aos jogos pela televisão, só está com aquela camisa amarelo ovo o povo que tá do lado da arquibancada que vai ser filmado. Não que eu fizesse questão de aparecer na globo, mas enfim.

E daí que eu acordei de madrugada e, pra minha surpresa, muita gente resolveu fazer o mesmo e enfrentei fila. O ginásio já estava quase cheio quando finalmente consegui entrar, mas ainda tive a sorte de pegar um lugar de onde se via a quadra inteira, longe daquele ângulo de visão de fundo de quadra que às vezes a Globo insiste em mostrar pra ver se inventa moda e ninguém acerta um acordo sobre se a bola foi fora mesmo ou não. De todo jeito, meu lugar era bom. Ruim mesmo foi ter que ficar aguentando o animador de torcida que esgotou todo o repertório de gritos de guerra e inclusive puxou pela memória alguns daqueles usados nas colônias de férias quando se é criança.

Mas pena mesmo eu tive foi do Jacaré. Por algum motivo que eu ainda não descobri qual exatamente, o mascote é um Jacaré. E não satisfeitos em fazer uma pobre alma vestir uma roupa de Jacaré, dentro da qual o camarada não enxerga nada, a organização ainda queria entreter o público nos intervalos dos sets fazendo o coitado do jacaré cego pular amarrado a uma corda elástica, descer de rapel e dançar pra torcida. Lamentável.

Bom, findo o jogo, estava lá eu esperando o povo ir embora pra evitar o engarrafamento e observando os atletas portugueses, muito corteses e simpáticos distribuindo autógrafos e sorrisos pra tietes histéricas que queriam abraçar alguém, não importava quem. Uma louca gritava "Anderson, ô negão gostoso, olha pra mim!" e todas estava mesmo era querendo um Giba pra chamar de seu.

Daí que esperei um tantão e nada de diminuir o tal engarrafamento. Resolvemos ir embora assim mesmo. Ni qui entramos no carro, eu e uma amiga, vimos o ônibus com os jogadores ir pro caminho oposto ao do engarrafamento monstro. Reação instintiva? Ora essa, seguir o ônibus, afinal o máximo que poderia acontecer era que ele fizesse um caminho alternativo e particular e guardas de trânsito carrancudos nos mandassem voltar. Surpreendentemente, o ônibus fez sim um caminho alternativo, livre livre de tráfego, e como tava indo pras bandas do nosso caminho mesmo, continuamos seguindo. Foi quando veio a bifurcação: minha casa pra um lado, o ônibus pro outro. Que dúvida? Seguimos o ônibus. Ora essa, eu tava mesmo era curiosa pra saber onde é que eles iam almoçar. Sei lá, me baixou um espírito do 3 a 0, uma coisa meio em cima embaixo e puxa e vai. Curiosidade mesmo.

Várias especulações no caminho, o ônibus finalmente parou no Pier. Eu lembro que desci do carro calmamente (bom, mais ou menos), só que completamente despreparada, sem máquina fotográfica nem bloquinho de autógrafos. Eu tava tão besta, mas tão besta, que fiquei do lado da porta de saída do ônibus, vendo todos eles passarem por mim e fazendo uma espécie de jogo de adivinhação:

-Ai meu Deus, o Ricardinho!
-Ai meu Deus, esse é o Dante ou o André Nascimento?
-Quem é irmão de quem?
-O Gibaaaa!!

Eu confesso que não acho o Giba em si lá grandes coisas não, mas fui tomada pela euforia do momento (ok, não só eu tive a idéia de seguir o ônibus: duas loucas armadas até os dentes de acessórios de fãs e um moço de moto), fazer o quê? Não, não pulei no pescoço dele, nem gritei "Giba eu te amo". Eu entrei no carro de voltei pra casa pra comer peixe assado.

Concordo, não foi emocionante.
Eu acho que tenho uma boa explicação pra ter demorado tanto pra voltar aqui: sabia que assim que pusesse os pés pra dentro por essa porta, estaria admitindo pra mim mesma o que não queria admitir. Remoí e remoí e tanto abafei isso dentro de mim, que essa noite tive um sonho, daqueles que vc se sente triste quando acorda, parte por não ser verdade e parte por se dar conta de que queria muito que fosse verdade.

Pois bem. Ele está namorando. É, o camarada da máquina de coca-cola. Aquele, que me disse um monte antes de me beijar e não me disse nada depois. Que tinha um problema com relacionamentos, que me disse com todas as palavras que não poderíamos ter nada pq ele não acreditava em amizade E qualquer outra coisa juntos, que com ele só poderia ser uma das duas coisas, e nós éramos muito amigos. Amigos uma ova. Mas enfim. Aquele que não se entregava nunca. Pois bem, tá namorando. Daí eu poderia pensar que essa criatura bem que poderia ser página virada. E era. Digo é.

Mas não posso evitar de pensar que se ele está namorando e não é comigo, a questão não era se ele tinha ou não problemas de relacionamento. E sim, e isso ficou bem claro na minha cabecinha doentia, que a questão era um problema comigo. E isso eu ainda não consegui engolir. Bota aí mais uns anos pra digerir. Na Listinha de Traumas da Stella (ou Motivos Pelos Quais a Stella Nunca Abre o Coração) ele vai estar lá. E o que eu não aguento mesmo é o fato de isso me incomodar. Nhé nhé nhé, eu não aguento mais esse disco arranhado que virou minha vida amorosa. Vida odiosa, isso sim. E fiquei reprimindo esse sentimento de rejeição, não me permitindo sentir isso, e consequentemente não deixando isso ir embora também.

Tá confuso, né? Eu estava bem com o fato de que não tinha sido pq não era pra ser. Porque não íamos dar certo, pq ele queria uma coisa e eu outra, pq ele não era capaz de mergulhar num relacionamento, pq ele tinha medo e era problemático. Isso em parte me confortava. O fato de ele ter encontrado alguém por quem valeu à pena arriscar me incomodou. Fiquei triste pq eu não tinha valido à pena. Mesmo tendo colocado meu coração na mesa e meus sentimentos como garantia, ele não achou que eu valia à pena o risco. Eu era carne e osso, e não Galatéia de mármore.

E ainda por cima ela é loira e linda: pense no estrago que essa informação pode fazer pela auto-estima de uma pessoa. Se eu não voltar mais aqui, podem estar certos de que descobri que além de tudo ela ainda é inteligente e simpática. E cortei os pulsos.

quarta-feira, junho 1

Gente! Pelamordedeus!! O que diabos é isso?????? Não sou uma truta e sim uma fruta, ou eu escutei mal??????