quarta-feira, junho 29

Eu acho que tenho uma boa explicação pra ter demorado tanto pra voltar aqui: sabia que assim que pusesse os pés pra dentro por essa porta, estaria admitindo pra mim mesma o que não queria admitir. Remoí e remoí e tanto abafei isso dentro de mim, que essa noite tive um sonho, daqueles que vc se sente triste quando acorda, parte por não ser verdade e parte por se dar conta de que queria muito que fosse verdade.

Pois bem. Ele está namorando. É, o camarada da máquina de coca-cola. Aquele, que me disse um monte antes de me beijar e não me disse nada depois. Que tinha um problema com relacionamentos, que me disse com todas as palavras que não poderíamos ter nada pq ele não acreditava em amizade E qualquer outra coisa juntos, que com ele só poderia ser uma das duas coisas, e nós éramos muito amigos. Amigos uma ova. Mas enfim. Aquele que não se entregava nunca. Pois bem, tá namorando. Daí eu poderia pensar que essa criatura bem que poderia ser página virada. E era. Digo é.

Mas não posso evitar de pensar que se ele está namorando e não é comigo, a questão não era se ele tinha ou não problemas de relacionamento. E sim, e isso ficou bem claro na minha cabecinha doentia, que a questão era um problema comigo. E isso eu ainda não consegui engolir. Bota aí mais uns anos pra digerir. Na Listinha de Traumas da Stella (ou Motivos Pelos Quais a Stella Nunca Abre o Coração) ele vai estar lá. E o que eu não aguento mesmo é o fato de isso me incomodar. Nhé nhé nhé, eu não aguento mais esse disco arranhado que virou minha vida amorosa. Vida odiosa, isso sim. E fiquei reprimindo esse sentimento de rejeição, não me permitindo sentir isso, e consequentemente não deixando isso ir embora também.

Tá confuso, né? Eu estava bem com o fato de que não tinha sido pq não era pra ser. Porque não íamos dar certo, pq ele queria uma coisa e eu outra, pq ele não era capaz de mergulhar num relacionamento, pq ele tinha medo e era problemático. Isso em parte me confortava. O fato de ele ter encontrado alguém por quem valeu à pena arriscar me incomodou. Fiquei triste pq eu não tinha valido à pena. Mesmo tendo colocado meu coração na mesa e meus sentimentos como garantia, ele não achou que eu valia à pena o risco. Eu era carne e osso, e não Galatéia de mármore.

E ainda por cima ela é loira e linda: pense no estrago que essa informação pode fazer pela auto-estima de uma pessoa. Se eu não voltar mais aqui, podem estar certos de que descobri que além de tudo ela ainda é inteligente e simpática. E cortei os pulsos.

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