sexta-feira, setembro 30

A gente não se perde no caminho da volta.

Ou coisa assim. Escutei hoje no rádio. Gostei. Foi o Sarney quem disse, mas quem se importa? A frase não é dele mesmo. E eu não me lembro de quem é. Mas quem se importa? Gostei.
Conversa numa mesa de bar, depois de encher a fuça de pamonha e cantar "pamonha, curau, se eu te dou minha pamonha cê me dá o seu curau?", pq toda mesa de bar tem que falar de política, de futebol, da novela das oito e, no nosso caso, da física quântica:

A: - Ah, mas eu acho hipocrisia. Todo mundo tem seu preço e todos temos nossos limites.
B: - É, haja vista a onda de "honestidade" que parece estar atingindo o nosso país.
C: - Não é bem honestidade, né?
D: - A verdade é que nesses negócios tem sempre um que ganha menos.
C: - E que vira o dedo duro.
A: - Aqui nessa mesa somos todos seres idôneos, claro.
B: - Falem a verdade, dessa mesa quem será que vai ser o dedo duro?
E: - Ah, acho que vou ser eu.
Todos: - Credo!
D: - Bom, isso quer dizer que em qualquer esquema de corrupção que a gente pensar em armar, o Luiz vai ter que ganhar mais, é isso?
E: - Não, é que com certeza eu vou ter ex-mulher.
E o blog tá capenga, mas talvez haja um motivo razoável pra isso. Ora bolas, eu nem percebi e a casa comemorou seus 4 anos assim, meio abandonada, meio esperançosa, meio desajustada. Meio velha, meio criança e meio adolescente, respectivamente.

sexta-feira, setembro 16

Diálogo no jogo do Brasil entre uma mãe e seu filho de uns 7 anos, naquela fase de alfabetização em que a criança lê tudo o que vê pela frente:

- "Vas-co sim, Eu.. Eu-ri-co não".
- ...
- Mãe, o que é "Eurico"?
- Eurico é o chefe do Vasco, filho.
- ...
- Um cachorro safado.

Ensinando a criança desde cedo.
Eu me sinto meio jeca de admitir, mas confesso que acho super estranho perceber que aquelas pessoas que aparecem na televisão existem de fato, e não são bonequinhos de 15 cm de altura dentro do tubo de imagem. Tô falando isso porque fui ao jogo do Brasil contra o Chile, que foi aqui em Brasília lá no suuuper estádio do Mané Garrincha, que disseram que tava reformado.

Eu já tinha desistido de ir. Primeiro pq tava muito caro, e me deu mais raiva ainda ver o moço dos esportes (sei lá o que aquele cara é!) dizer na televisão, em praticamente todos os canais, que "esse é o preço de Brasília, o pessoal daqui já se acostumou" quando perguntado porque os ingressos aqui eram tão caros. Se acostumou o escambal, mas enfim. Além disso, tinha lido várias matérias condenando o estádio, dizendo que ele não era seguro, que a reforma não tinha servido de nada e que ele não ia conseguir abrigar todas as 40 mil pessoas.

Foi uma coisa meio de última hora, eu já tava lá por outro motivo e, faltando 15 minutos pro início do jogo, comprei o ingresso a preço de banana de um cambista e me arrisquei. O ingresso tava tão barato que fiquei com medo de não passar na roleta. Mas passou. Tava lotado! Claro, jogo do Brasil, não era pra menos. Ainda mais depois de tanta propaganda, aquela conversa mole de que "pode decidir a ida pra Copa", como se não fôssemos ter mais nenhuma chance de disputar essa vaga. Enfim, me enfiei lá junto de uma família muito simpática, que tinha levado os dois filhos pequenos pro jogo, que eles infelizmente não estavam conseguindo aproveitar muito pq simplesmente não dava pra ver quase nada. Eu sei porque sou baixinha. Fiquei lá, vendo o jogo entre as cabeças de dois caras que tava na minha frente e me senti como se estivesse vendo o jogo na televisão, só que sem a tecla de mudo pra acabar com o maldito barulho que aquelas bóias da Brahma faziam e sem o Galvão Bueno. Daí eu vi o Robinho. E o Ronaldo, e o Adriano, e o Kaká (ah, o Kaká...) e, meu Deus, eles existem mesmo! A sensação começou meio estranha, mas passou depois do primeiro gol.

Daí eu percebi a primeira grande desvantagem de se ver o jogo em estádio: não tem Replay! Eu não consegui ver o gol, meu irmão também não, o cara que tava do meu lado falou pra namorada que tinha perdido o gol e meu pai, que tava em casa, viu tudinho, várias vezes, e sem pagar nada por isso.

quarta-feira, setembro 14

Eu, que sou mesmo rata de teatro, às vezes me dou bem e às vezes me meto em cada roubada. Radio Esmeralda AM, por exemplo, foi uma peça de teatro que me surpreendeu. Positivamente, vale dizer. É incrivelmente simples e divertida. Um show, leve, despretensioso, completo, com tudo o que um show pode ter. Bom, menos engolidores de facas e domadores de leões, mas ninguém vai ao teatro esperando encontar isso, certo? As moças cantam (muitíssimo bem, por sinal), se dão muito bem com improvisos da platéia e são absurdamente carismáticas.

Ao contrário, fiquei bastante desapontada com a última peça dos Parlapatões. O primeiro espetáculo deles que eu vi, ppp@WllmShkspr.br, foi tão bom, mas tão bom, que eu virei fã dos caras. Tanto, que alguns anos depois eles voltaram pra cá apresentando outra, Sardanapalo eu fui uma das primeiras da fila. E me surpreendi pela completude: os caras, dançam, cantam, sapateiam e fazem malabarismo com facões. O máximo. Daí fiz a maior propaganda quando soube que eles vinham com As Nuvens e/ou Um Deus Chamado Dinheiro, comprei o ingresso com a maior antecedência pra não correr o risco de ficar sem.

Bom, eu não sou nem crítica nem entendida de teatro, mas na minha opinião, sendo bem simpática, a peça pode ser definida como... chata. Eu não vejo por que pra se criticar algo tenha que se fazer polêmica, falar alto, falar palavrão. Eu acho que peguei o espírito de contestação, mas não acredito que havia necessidade de ser tão rude. Um desapontamento só. E quem foi por indicação minha deve estar me xingando até agora...