sexta-feira, março 30

Agora vamos lá. Será que alguém, mesmo, achou uma boa idéia esse negócio de Pan no Rio?
Eu penso muito, sabe? Penso mesmo, juro. Pode não parecer. Enfim. Pensei meses a respeito de um e-mail que recebi do Preá. Na verdade, pra ser bem honesta, não pensei durante todos os dias desses meses que se passaram. Me entendem, né? Pensei algumas vezes. Todas em que eu me sentava na frente do computador e abria a página do Blogger, querendo e não querendo escrever. Aconteceu com uma certa frequência. Apesar de ninguém ter visto, porque, bem, vocês sabem, eu não escrevi. Deu pra perceber.

Enfim. O e-mail do Preá incisivo. Era uma espécie de sinal de vida mix abra seu coração pra tia Stella. Veja bem, Preazinho, que não estou fazendo pouco caso das suas confidências, se é que posso chamar assim. Muito pelo contrário. Você entende, né? Gostei quando disse que permanecia um fã. Na mesma frase em que, com sinceridade, disse que não era um leitor assíduo. Mas o que realmente me impressionou, e muito, foi sua sensibilidade. Raro de ver alguém que consegue captar outra pessoa com tanta precisão. E com tão pouca informação, pois veja bem, esse blog não tem nem de longe o brilho (e assiduidade) dos idos tempos áureos (Cof cof, yeah, you wish). Nato, imagino que isso seja. Se me permite:

Ainda me delicio com sua escrita. Mas preciso confessar mais uma coisa : quando vc era mais menina, me fazia rir mais. Agora, seus relatos têm um peso diferente. Uma ironia fina delineia suas palavras. E um "não-sei-quê" de não querer abrir o coração tomou conta de suas expressões. Como se a mulher Stella estivesse tomando o seu devido lugar. E não quisesse mais ser descoberta e lida livremente.

Pois é.

Esse "não-sei-quê" de abrir o coração. Esse não querer ser descoberta. Tá me entendendo? Será que ficou tão evidente assim. Sério?

Então. Outro dia uma amiga me contava que tinha, depois de muitos anos de pura tensão sexual, ficado com um amigo dela que a paquerava há tempos. Como nem tudo é perfeito, o coleguinha é namorado de uma amiga dela. Muito amiga. Merda feita, né? Não que ela levante a bandeira da exclusividade sexual, mas a incomodava profundamente encontrar a tal e ter a sensação de que em neon, bem na sua testa, piscava eu fui pra cama com seu namorado, assim, em negrito mesmo. Não que eu esteja dormindo com o namorado de alguém. Pois bem. Analogia feita. Me deparei com meu lado podre. E minha gente, esse negócio todo de crescer, amadurecer e confrontar suas imperfeições e se tornar um ser humano melhor não é nem de longe um troço bacana de fazer. Sabe como é, se de repente tem um neon na minha testa também estampando pro mundo tudo que faço tanto esforço pra esconder. Os bichos escrotos da nossa alma, compreende? Quem foi que me convenceu tão bem convencido de que eu tenho que ser uma boa pessoa, amar ao próximo e prezar pelo bem comum? E colocou tanta, tamanha culpa nesse coraçãozinho?