quarta-feira, março 30

Daqui.
Eu tive um daqueles sonhos agressivos. Daqueles em que eu brigo e digo coisas, e jogo verdades na cara dos outros. Coisa que eu absolutamente não faço na vida real pq, né, temo as consequências. Mas nos sonhos eu sou bem mais destemida. E era uma briga. E eu dizia aquelas coisas das quais vc sabe que vai se arrepender depois, tipo "eu já fiz tanto por vc e agora que eu preciso vc está me deixando na mão, vc é um egoísta" e outros clichês do gênero. Mas eu gritava, e dizia que eu queria muito estar ok com aquela situação, mas uma vez que não estava não era justo comigo fingir que sim. E etc. E foi tão, tão real. Meu subconsciente dizendo que eu talvez precise dizer umas coisas dessas aí. Que não tá fácil, hein?
Eu tenho uma amiga que, segundo ela, até bem pouco tempo achava que

- piroca era o negocinho da menina,
- toba era o negocinho do menino.

Tem que ver isso aí.

terça-feira, março 29

Momento: coisas que só acontecem comigo:

(nem é justo ressuscitar o momento assim, já que não foi privilégio meu e sim de todos os que ocupavam a fileira H e I naquele dia, mas dane-se)

O Teatro Municipal do Rio apresentou no último final de semana um projeto chamado Música e Imagem. Foi exibida a cópia completa de Metropolis, acompanhada pela orquestra tocando a trilha sonora. Pelo que entendi, esse é um daqueles filmes que servem de referência pra um monte de coisas que foi feito no cinema desde então. É um filme de ficção científica, mudo, de 1927. Altamente vanguardista pra época. E ainda teve o lance de ele ter sido cortado e terem encontrado partes perdidas há uns dois anos na Argentina, fazendo com que o filme fosse remontado pra ser exibido, 80 anos depois, em sua versão integral. Pelo menos foi o que me disseram.

Eu achei a proposta  interessante. Primeiro que eu realmente tinha curiosidade em assistir ao filme, e apesar de não ser entendida no expressionismo alemão nunca é tarde pra começar. E segundo que achei bem bacana a orquestra acompanhar ao vivo um filme mudo. Então fomos. Eu inclusive comprei os ingressos no balcão nobre, imaginando que nesse caso teria menos a sensação de estar no teatro assistindo ao espetáculo com os pombos. Que, bem, é o que se sente lá na galeria. E de lá de cima também dá um medo danado da bodega pegar fogo e aí, já era. Tudo de carpete, a escada é estreita, eu não sei como a defesa civil diz que aquilo tá ok. Mas, né, o quê eu sei?

Obviamente o filme estava em alemão. Quando começou ficamos com cara de ué. Que, né, não falo alemão. Mas já tinha pagado o ingresso, já tava com meu sapato de salto absurdamente desconfortável, já tava lá, né? Vamos que vamos. O filme é mudo, ok. Então boa parte da história era meio fácil de entender mesmo sem conseguir entender as falas. O resto eu inventei. Na minha cabeça. Me diverti, juro. Porque não é sempre que a gente tem a oportunidade de assistir a um filme e criar uma história própria ao mesmo tempo. Acho válido. Tinha um outro inconveniente de que, por causa do balcão acima do nosso, a parte superior da tela era cortada. Só que na verdade isso não tava atrapalhando o processo tanto assim, já que as imagens eram bem centralizadas, e era só abaixar um pouquinho a cabeça pra ver a imagem como um todo.

Pois bem. Dois atos. quase 200 minutos de filme. Eu saí de lá satisfeita. Claro, teria sido mais divertido se houvesse legenda, e eu preciso de muito pouco pra me divertir. Mas eu realmente achei bacana. A música me envolveu demais, a história que eu tinha criado tava bem amarrada (sim, louca), eu diria que o saldo da noite foi positivo. Mas quem me acompanhava tava muito puto. Botava a culpa nesses pseudo-intelectuais da elite carioca. Dizia que era um bando de metidos. Que não custava nada colocar a porra da legenda. Que naquele teatro lotado era impossível que mais de 10% falasse alemão.

Corta.

Dois dias depois encontrei com um amigo. Que inclusive era quem tinha me avisado do projeto do municipal. Não tínhamos conseguido nos encontrar lá no teatro, que o telefone dele ficou sem bateria. Daí ele perguntou onde estávamos sentados, já que ele tinha tentado nos procurar e não tinha nos visto. Quando falei que estávamos no tal balcão nobre ele disse que também estava.

Eu: Ah, mas aposto que vc estava num daqueles lugares lá na frente, de quem compra ingresso com antecedência e paga a mensalidade dos amigos do municipal.
Ele: É verdade, comprei os ingressos de um colega de trabalho. E vcs, onde estavam?
Eu: Estávamos no canto direito do balcão. Mas um pouco mais pra trás, né? De um lugar que cortava o topo da tela.
Ele: Puxa, então ficou difícil de vcs lerem a legenda em português, né?

Pois é.
Às margens do notebook HP eu sentei e chorei.

E, gente, funcionou. Tô me achando meio bipolar, porque tem dias em que eu acordo otimista com o mundo, me achando confiante, segura de que agora as coisas vão ser pra melhor. E esses dias são ótimos, por motivos óbvios. Daí no dia seguinte eu quero sumir, desaparecer, deixar de existir, posição fetal na cama e no escuro até 2012.

Então eu tava em prantos. E quem me conhece sabe que uma vez aberto o aguaceiro... Pois é. Daí eu sentei no computador. E escrevi. Com pausas pra ir ao banheiro lavar o rosto. Bem dramático. Abracei a Maria do Bairro que existe em mim. Depois de umas horas (pois é!) tava mais calma. Achei bom descobrir que funciona.

Depois fiquei sem saber o que diabos fazer com o arquivo. A proposta é a gente desabafar e depois jogar fora ou é desabafar pra ler depois e perceber que aquilo passou?