terça-feira, março 29

Momento: coisas que só acontecem comigo:

(nem é justo ressuscitar o momento assim, já que não foi privilégio meu e sim de todos os que ocupavam a fileira H e I naquele dia, mas dane-se)

O Teatro Municipal do Rio apresentou no último final de semana um projeto chamado Música e Imagem. Foi exibida a cópia completa de Metropolis, acompanhada pela orquestra tocando a trilha sonora. Pelo que entendi, esse é um daqueles filmes que servem de referência pra um monte de coisas que foi feito no cinema desde então. É um filme de ficção científica, mudo, de 1927. Altamente vanguardista pra época. E ainda teve o lance de ele ter sido cortado e terem encontrado partes perdidas há uns dois anos na Argentina, fazendo com que o filme fosse remontado pra ser exibido, 80 anos depois, em sua versão integral. Pelo menos foi o que me disseram.

Eu achei a proposta  interessante. Primeiro que eu realmente tinha curiosidade em assistir ao filme, e apesar de não ser entendida no expressionismo alemão nunca é tarde pra começar. E segundo que achei bem bacana a orquestra acompanhar ao vivo um filme mudo. Então fomos. Eu inclusive comprei os ingressos no balcão nobre, imaginando que nesse caso teria menos a sensação de estar no teatro assistindo ao espetáculo com os pombos. Que, bem, é o que se sente lá na galeria. E de lá de cima também dá um medo danado da bodega pegar fogo e aí, já era. Tudo de carpete, a escada é estreita, eu não sei como a defesa civil diz que aquilo tá ok. Mas, né, o quê eu sei?

Obviamente o filme estava em alemão. Quando começou ficamos com cara de ué. Que, né, não falo alemão. Mas já tinha pagado o ingresso, já tava com meu sapato de salto absurdamente desconfortável, já tava lá, né? Vamos que vamos. O filme é mudo, ok. Então boa parte da história era meio fácil de entender mesmo sem conseguir entender as falas. O resto eu inventei. Na minha cabeça. Me diverti, juro. Porque não é sempre que a gente tem a oportunidade de assistir a um filme e criar uma história própria ao mesmo tempo. Acho válido. Tinha um outro inconveniente de que, por causa do balcão acima do nosso, a parte superior da tela era cortada. Só que na verdade isso não tava atrapalhando o processo tanto assim, já que as imagens eram bem centralizadas, e era só abaixar um pouquinho a cabeça pra ver a imagem como um todo.

Pois bem. Dois atos. quase 200 minutos de filme. Eu saí de lá satisfeita. Claro, teria sido mais divertido se houvesse legenda, e eu preciso de muito pouco pra me divertir. Mas eu realmente achei bacana. A música me envolveu demais, a história que eu tinha criado tava bem amarrada (sim, louca), eu diria que o saldo da noite foi positivo. Mas quem me acompanhava tava muito puto. Botava a culpa nesses pseudo-intelectuais da elite carioca. Dizia que era um bando de metidos. Que não custava nada colocar a porra da legenda. Que naquele teatro lotado era impossível que mais de 10% falasse alemão.

Corta.

Dois dias depois encontrei com um amigo. Que inclusive era quem tinha me avisado do projeto do municipal. Não tínhamos conseguido nos encontrar lá no teatro, que o telefone dele ficou sem bateria. Daí ele perguntou onde estávamos sentados, já que ele tinha tentado nos procurar e não tinha nos visto. Quando falei que estávamos no tal balcão nobre ele disse que também estava.

Eu: Ah, mas aposto que vc estava num daqueles lugares lá na frente, de quem compra ingresso com antecedência e paga a mensalidade dos amigos do municipal.
Ele: É verdade, comprei os ingressos de um colega de trabalho. E vcs, onde estavam?
Eu: Estávamos no canto direito do balcão. Mas um pouco mais pra trás, né? De um lugar que cortava o topo da tela.
Ele: Puxa, então ficou difícil de vcs lerem a legenda em português, né?

Pois é.

2 comentários:

The Wizard disse...

hahahahahahahahahaha
Desculpe, não consegui conter! hahaha

stella disse...

Eu achei muita graça também. Mas bem curti ter minha versão particular de Metrópolis.