sábado, setembro 17

E daí eu sonhei que o departamento pro qual trabalho ia me pagar pra ir a um congresso em Paris. Tudo, tudo pago. Eu ia, felicíssima, aproveitava até cansar. Na volta, ainda dentro do avião, exclusivamente lotado de físicos, meu orientador, que era o organizador do congresso e responsável pelo reembolso das diárias e passagens, dizia calmamente:

- Bom, é hora de começarem os shows.

Uma moça que era obviamente a secretária do departamento sacava uma caderneta e ia pro fundo do avião, enquanto eu fazia cara de Q. Daí eu percebia que estavam todos pegando papéis em suas mochilas e começando a afinar a voz. Eu perguntava pra alguém que estava ao meu lado "WTF? e me diziam que estava no termo de compromisso que a gente tinha assinado antes de viajar: pra ter o dinheiro reembolsado, cada um precisava fazer a apresentação de duas músicas que conhecesse muito bem, e ainda ter preparado um bis, caso fosse solicitado. Diante do burburinho dentro do avião, em que as pessoas trocavam impressões sobre as escolhas musicais dos colegas, a secretária dizia, seriíssima:

- Vocês estão achando que isso é brincadeira, mas essa apresentação é muito séria.

Eu simplesmente não conseguia lembrar de nenhuma música. Nenhuma. Passava mentalmente os cds que tenho na estante de casa, mas eu sabia que nenhuma música eu saberia cantar direito, do começo ao fim. Eu pensava na Zélia, "eu sou tão fã, eu devo saber alguma música de cor" e nada. Eu não sabia. Enquanto isso, meu orientador chamava o primeiro calouro: o Tiririca. Enquanto ele cantava uma música do Guilherme Arantes, eu pegava meu mp3 player no bolso e ficava frustradíssima ao perceber que só tinham bandas novas na memória. Coisas que eu tinha baixado pra conhecer, e absolutamente nada que eu pudesse cantar lá na frente. Eu pegava meu computador pra tentar ir escondida até o banheiro e olhar no HD se alguma coisa salvava minha memória, e eu não podia permitir que alguém soubesse que eu nem sabia que tinha que preparar uma música, quanto mais que eu não conseguia me lembrar de nada que já tinha ouvido na vida. Quando eu estava no caminho, meu orientador chamava meu nome. Era a minha vez.

- Tem que ser agora? É que eu estava indo ao banheiro.

4 comentários:

Di disse...

eita que deve ser coisa de física sonhar com coisa doida... hahahaha

girafas disse...

hahahaha que sonho engraçado! Mas seria um bom jeito de pagar viagens, né, rs.

rnt disse...

hahahaha =]

rnt disse...

não consigo add seu blog no Google reader.... os feeds tao desabilitados?